sábado, 20 de abril de 2024

Sagui-de-tufo-branco (Callithrix jacchus)

                                                              Sagui, zona urbana do município de Inhambupe. Foto Gilson Santana


Os Saguis são os menores macacos do mundo, estando dispersos por toda a América do Sul. Estes primatas são representados por várias espécies que costumam viver em grupos, apesar de poderem viver sozinhos ou em pares. Já foram observados bandos mistos, formados por animais de duas ou três espécies distintas. Os Saguis-de-tufo-branco (Callithrix jacchus) ou Saguis-Comuns se distinguem das outras espécies do gênero pelos tufos brancos que possuem em cada orelha. São provavelmente, a espécie mais comum de primatas a conviver com os seres humanos no Brasil. São animais de pequeno porte com peso entre 350 e 450 gramas, pelagem estriada na orelhas, mancha branca na testa. A coloração geral do corpo é acinzentado-claro com reflexos castanhos e pretos. A cauda é maior do que o corpo e tem a função de garantir o equilíbrio do animal. Todas as espécies possuem o dedo polegar não oponível, unhas em forma de garras e dentes molares na fórmula de dois por dois. Possuem domínios definidos e os bandos costumam se instalar próximos às árvores frutíferas utilizadas, repetindo o mesmo percurso todos os dias, inclusive utilizando as mesmas árvores e mesmos galhos durante o deslocamento. 

Habitat  

Esses pequenos animais habitavam primariamente as florestas de caatinga e cerrado em formações arbóreas baixas do nordeste do Brasil, ao norte do Rio São Francisco, ao leste dos Rios Parnaíba e nas formações de floresta tropical úmida do Nordeste e Florestas Semi-decíduas (Bioma Mata Atlântica). Os Saguis-de-tufo-branco foram introduzidos em várias matas do Brasil. Sua adaptação em outras formações florestais e a intensa utilização desse organismo como “doméstico” terminou por introduzi-lo em vastas áreas do território da América Latina. 

Alimentação

Os Saguis-de-tufo-branco alimentam-se de grande variedade de matéria vegetal (sementes, flores, frutos, néctar, etc..) e animal (artrópodes, moluscos, filhotes de aves e mamíferos, anfíbios e pequenos lagartos). São também gumívoros, alimentam-se da goma que roem com seus incisivos inferiores, de árvores gumíferas. A goma compõe a base da sua dieta, mas, diante da disponibilidade de frutos, reduz o consumo de tal item. Callithrix jacchus é um especialista em alimentação de goma, com incisivos inferiores para goivagem - escavar buracos nas árvores produtoras de goma, para garanti-la por todo o ano. Isso permite-o viver em habitats muito sazonais, incluindo florestas decíduas no nordeste do Brasil. 

Hábitos

Tem hábitos diurnos e raramente descem ao solo. São adaptados à vida saltatória arbórea, com locomoção vertical pelos troncos. Redican e Taub (1981) afirmaram que os Callitrichideos são organizados em unidades familiares monogâmicas. Outros pesquisadores acreditam que estes animais formam grupos familiares extensos com um par monogâmico, os quais permitem que seus filhotes permaneçam no grupo após a maturidade (EPPLE, 1975). Monogamia e cuidado biparental, famílias extensa, cooperação na criação de filhotes, poliginia, poliandria cooperativa, inibição reprodutiva de fêmeas subordinadas em grupos multimacho-multifêmea, são características notáveis na estrutura social dos acallitrichideos. 

Reprodução

Atingem a maturidade sexual entre treze e quatorze meses. O período de gestação varia entre 140 a 160 dias. Nascem dois filhotes de tamanho grande a cada gestação. Os filhotes são amamentados, normalmente, por um período de aproximadamente 70 dias após o nascimento, embora alguns deles possam mamar por até 100 dias. O desmame se inicia 30 dias após o nascimento, quando os filhotes já conseguem pegar os alimentos com suas mãos ou recebê-los por seus parentes. O desmame completo ocorre por volta de dois meses. 

Ameaças

Estes animais são vulneráveis a um grande número de predadores. A alta taxa predatória e a instabilidade do meio sugerem a presença de características adaptativas, dotando esta família de respostas precisas a eventos estressores . Estes animais possuem um sistema diferenciado para respostas rápidas, uma exigência essencial para animais colonizadores de ambientes emergentes e instáveis Os Saguis quando ameaçados pelas aves, emitem forte vocalização de alerta e a este sinal, os infantes se aproximam dos adultos e o grupo coeso se reúne e se esconde embaixo das folhagens ou desce rapidamente pelos trocos das arvores até o solo. Esses ataques por aves são geralmente investidas de captura por gaviões ou urubus, nesses casos os pais transferem os filhotes das costas para a região próxima ao ventre. Mas os saguis não são apenas predados por aves, eles também predam ovos de aves que os atacam com sobrevôos rasantes seguidos de pancadas com o bico ou com o peito na cabeça dos saguis até que estes se distanciassem das proximidades do ninho. O homem tem papel preponderante na diminuição das populações desses animais, além da perda de habitat decorrente da alteração ambiental por atividades econômicas. Além disso, o homem caça os saguis-de-tufo-branco para venda ao longo das rodovias como animais de estimação, principalmente no Nordeste.   

Fontes:
http://www.ceama.mpba.mp.br/especies-ameacadas/1849-callithrix-jacchus-o-saguei-de-tufo-branco.html 

https://www.gov.br/iec/pt-br/centro-nacional-de-primatas/assuntos/guia-de-especies/sagui-do-tufo-branco-white-tufted-ear-marmoset-ing

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