domingo, 14 de abril de 2024

João-de-barro (Furnarius rufus)

João-de-barro, zona rural de Sátiro Dias. Foto Gilson Santana


O joão-de-barro é uma ave passeriforme da família Furnariidae. Conhecido também como barreiro, joão-barreiro (Rio Grande do Sul), maria-barreira (Bahia), forneiro, pedreiro, oleiro, hornero (Argentina) e amassa-barro. A fêmea é conhecida como “joaninha-de-barro”, “maria-de-barro” ou “sabiazinho” em certas regiões. É conhecido por seu característico ninho de barro em forma de forno. Mede 18 a 20 centímetros de comprimento e pesa 49 gramas. 

Possui o dorso inteiramente marrom avermelhado. Apresenta uma suave sobrancelha, formada por penas mais claras, em leve contraste com o restante da plumagem da cabeça. Rêmiges primárias (penas de voo, nas asas) anegradas, visíveis em voo, com as asas abertas. Ventralmente é de coloração clara (alguns indivíduos podem possuir o peito, flancos e barriga amarronzados, semelhante ao dorso), sendo o queixo e pescoço brancos. Excetua-se a cauda, que é avermelhada tanto dorsal quanto ventralmente. É uma das aves de mais fácil observação nos locais onde ocorre, pois além de não se afastar muito de seu território não é nem um pouco arisca, deixando o observador chegar a poucos metros de distância. 

Quando não está empoleirada desce ao solo, onde passa boa parte de seu tempo caminhando de modo bem típico, alternando pequenas corridas com intervalos nos quais anda mais devagar. Não possui dimorfismo sexual sendo assim macho e fêmea tem a mesma aparência. Alimentação: O pássaro joão-de-barro tem o hábito de procurar seu alimento em baixo de folhas, galhos ou troncos caídos. Sua preferência é por formigas, içás, cupins, larvas, aranhas e outros artrópodes. 

Dificilmente se alimenta de sementes. Alimenta-se também de outros invertebrados, como minhocas e possivelmente moluscos. Aproveita restos de alimentos humanos espalhados pelo chão, como pedaços de pão e biscoito. Reprodução: O casal constrói em conjunto um ninho interessante, em formato de forno de barro, o qual pode ser facilmente identificado no alto de árvores e postes em regiões campestres. No interior do ninho há uma parede que separa a entrada e a câmara incubadora, construída para diminuir as correntes de ar e o acesso de possíveis predadores. 

Utiliza como matéria-prima o barro úmido, esterco e palha, cujas proporções dependem do tipo de solo (se arenoso, a quantidade de esterco chega a ser maior do que a de terra). A construção do ninho demora entre 18 dias e 1 mês, dependendo da existência de chuvas e, portanto, de barro em abundância. 

O ninho pesa em torno de 4 quilos e às vezes ocorre a construção de vários deles, sobrepostos (até 11), em anos consecutivos. Põe de 3 a 4 ovos, a partir de setembro, e a incubação dura de 14 a 18 dias. O casal chega sempre em posições diferente da árvore, ora por cima, ora por trás, esquerda ou direita. O casal, além de se revezar na construção, em alguns momentos divide tarefas, sendo que um fica no ninho ajeitando o barro e o outro traz o material.
Ninho de joão-de-barro, zona rural do município de Sátiro Dias. Foto de  Gilson Santana

Não utiliza o mesmo ninho por duas estações seguidas, uma vez abandonados, os ninhos são reutilizados por outras espécies de aves (canário-da-terra-verdadeiro, tuim, pardal e andorinhas). Também são reutilizados por lagartixas, rãs, pequenas cobras, ratos silvestres e até por abelhas. Existe a lenda de que se o macho for “traído” pela fêmea, ele pode trancá-la dentro do ninho para sempre como punição.Esse fato nunca foi registrado cientificamente e não é comprovado pelos ornitólogos. 
Tuim, reutilizando o ninho do João-de-barro, zona rural do município de Sátiro Dias. Foto de Gilson Santana.


  Fontes:

https://www.wikiaves.com.br/wiki/joao-de-barro

 https://www.nativealimentos.com.br/sustentabilidade/biodiversidade/animais/aves/joao-de-barro/299

Nenhum comentário:

Postar um comentário