sexta-feira, 26 de junho de 2026

Inhambupe lidera a perda de cobertura vegetal no Litoral Norte e Agreste Baiano

 



Inhambupe vive hoje um dos cenários ambientais mais preocupantes do Território de Identidade do Litoral Norte e Agreste Baiano. Os dados mais recentes sobre cobertura vegetal revelam que o município possui apenas 12,4% de vegetação natural remanescente, o menor índice entre os 20 municípios que compõem a região. O dado evidencia um elevado grau de degradação ambiental e reforça a necessidade urgente de adoção de políticas públicas voltadas à conservação dos recursos naturais e ao uso sustentável do território.

A comparação com municípios vizinhos demonstra a gravidade da situação. Enquanto Inhambupe preserva apenas pouco mais de um décimo de sua vegetação original, Araçás mantém 43,6% de cobertura vegetal natural e Esplanada, 40,2%, os maiores índices da região. Essa diferença revela a intensidade do processo de supressão da vegetação nativa ocorrido em Inhambupe nas últimas décadas, resultado da expansão das atividades agropecuárias e da ocupação do solo sem o devido equilíbrio entre desenvolvimento econômico e conservação ambiental.

Os números do desmatamento confirmam esse cenário. Entre 2008 e 2023, o município perdeu aproximadamente 5.920 hectares de vegetação primária, formada pelos remanescentes mais antigos e ecologicamente mais importantes, e 6.369 hectares de vegetação secundária, composta por áreas em processo de regeneração natural. Somadas, essas perdas atingem 12.289 hectares, o equivalente a cerca de 17 mil campos de futebol, uma dimensão que evidencia a rapidez com que os ecossistemas naturais vêm sendo substituídos.

As consequências dessa redução da cobertura vegetal ultrapassam os impactos sobre a paisagem e afetam diretamente a qualidade de vida da população. A retirada da vegetação compromete a infiltração da água da chuva no solo, reduz a recarga dos aquíferos, favorece o assoreamento de rios, lagoas e nascentes, intensifica os processos erosivos e contribui para o aumento das temperaturas locais. Em um município historicamente marcado por longos períodos de estiagem, a perda da vegetação agrava a escassez hídrica e aumenta a vulnerabilidade diante das mudanças climáticas.

A biodiversidade também sofre impactos severos. Os remanescentes de Mata Atlântica, as áreas de Caatinga e os ambientes de transição existentes em Inhambupe servem de refúgio para diversas espécies ameaçadas de extinção. Entre elas destacam-se o Papa-taoca-da-Bahia, o Chorozinho-de-boné, o Chorozinho-de-papo-preto, o Anambé-de-asa-branca, a Raposa-do-campo, o Gato-do-mato, o Gato-maracajá e o Gato-mourisco. A fragmentação dos habitats naturais isola essas populações, reduz sua variabilidade genética, dificulta a reprodução e diminui a oferta de alimento e abrigo, aumentando significativamente o risco de extinção local.

Outro aspecto que merece atenção é a tendência de agravamento desse quadro. A economia de Inhambupe possui forte vocação agropecuária, com destaque para a expansão da citricultura e da produção de milho. Essas atividades desempenham papel importante na geração de emprego e renda, porém sua expansão sobre áreas naturais, quando realizada sem planejamento ambiental e sem o cumprimento da legislação, pode acelerar ainda mais a perda da cobertura vegetal.

Esse cenário revela um paradoxo. O mesmo setor produtivo que impulsiona a economia depende diretamente dos serviços ambientais fornecidos pelos ecossistemas naturais. A manutenção da vegetação contribui para a conservação dos recursos hídricos, a proteção do solo, a polinização, a regulação do clima e a estabilidade das chuvas — fatores indispensáveis para a própria produtividade agrícola. Em outras palavras, preservar a natureza não representa um obstáculo ao desenvolvimento; ao contrário, constitui uma condição essencial para sua sustentabilidade.

Diante dessa realidade, torna-se indispensável fortalecer a fiscalização ambiental para combater o desmatamento ilegal e assegurar o cumprimento da legislação. Paralelamente, é necessário ampliar programas de recuperação de áreas degradadas, restaurar matas ciliares, proteger nascentes e incentivar práticas agrícolas sustentáveis que conciliem produção e conservação. Também é fundamental investir em educação ambiental, envolvendo escolas, produtores rurais e toda a comunidade na construção de uma cultura de valorização do patrimônio natural.

Os indicadores ambientais colocam Inhambupe diante de um grande desafio. Reverter o quadro atual exige planejamento, responsabilidade e o compromisso conjunto do poder público, do setor produtivo e da sociedade civil. Preservar os remanescentes de vegetação que ainda existem não é apenas uma questão ecológica, mas uma estratégia para garantir segurança hídrica, proteger a biodiversidade, fortalecer a economia local e assegurar melhores condições de vida para as futuras gerações. 

Fontes:

LISTA OFICIAL DAS ESPÉCIES DA FAUNA AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO DO ESTADO DA BAHIA ANFÍBIOS, AVES, MAMÍFEROS E RÉPTEIS. Disponível em https://www.bahianoticias.com.br/.../especies%20extincao.. Acesso em 26/06/2026

https://brasil.mapbiomas.org/. Acesso em 26/06/2026

Territórios de Identidade da Bahia. Diponível em: https://www.ba.gov.br/sei/territorios-de-identidade-0. Acesso em 26/06/2026

 



sexta-feira, 5 de junho de 2026

Dia Mundial do Meio Ambiente: Um olhar para a realidade de Inhambupe

Celebrado em 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente é uma data dedicada à reflexão sobre a importância da preservação dos recursos naturais e à conscientização da sociedade sobre os desafios ambientais que afetam o planeta. Em Inhambupe, essa discussão torna-se ainda mais necessária diante das profundas transformações ocorridas na paisagem natural do município ao longo das últimas décadas.

Localizado em uma área de transição entre o litoral e o sertão, Inhambupe possui uma notável riqueza ambiental. Seu território abriga características de três importantes biomas brasileiros: a Caatinga, o Cerrado e a Mata Atlântica. Essa condição privilegiada favorece a existência de uma grande diversidade de espécies da fauna e da flora, fazendo do município uma área de relevante importância para a conservação da biodiversidade regional.

No entanto, essa riqueza natural vem sendo gradativamente reduzida pela ação humana. A expansão das atividades agropecuárias e o avanço das áreas de cultivo provocaram profundas alterações na vegetação nativa. Segundo dados do MapBiomas, estima-se que atualmente restem apenas cerca de 10% da cobertura vegetal original do município. Grande parte das matas foi substituída por pastagens, lavouras e outras formas de ocupação do solo, reduzindo significativamente os habitats naturais de inúmeras espécies.

Esse processo tem se intensificado nos últimos anos com a expansão da cultura do milho e da citricultura. Embora essas atividades contribuam para a economia local, seu crescimento tem aumentado a pressão sobre os remanescentes florestais. Como consequência, ampliam-se problemas como a perda da biodiversidade, a erosão dos solos, a diminuição da disponibilidade de água e o aumento das temperaturas locais. Se essa tendência continuar, os fragmentos de vegetação nativa restantes poderão se tornar cada vez mais isolados e vulneráveis.

Os impactos do desmatamento não afetam apenas a fauna e a flora. Eles também podem ser observados nos recursos hídricos do município, especialmente no Rio Inhambupe, um dos mais importantes cursos d’água da região e que dá nome à cidade. Ao longo dos anos, o rio vem sofrendo com o assoreamento, a retirada da vegetação ciliar, a poluição e a redução de sua vazão. Em diversos trechos, sobretudo durante os períodos de estiagem, é possível perceber a diminuição do volume de água, resultado da combinação entre as mudanças climáticas e a degradação ambiental de sua bacia hidrográfica.

A destruição das matas ciliares agrava ainda mais esse problema. Sem a vegetação que protege as margens, aumenta a erosão do solo e o deslocamento de sedimentos para o leito do rio. Por isso, a preservação do Rio Inhambupe está diretamente ligada à conservação das nascentes, das matas ciliares e dos fragmentos florestais ainda existentes no município. Sem essa proteção natural, rios e riachos tornam-se mais vulneráveis aos períodos de seca e à perda gradual de sua capacidade de abastecimento.

Os efeitos dessa degradação também podem ser observados em diversos corpos d'água que fazem parte da paisagem e da história do município. Lagoas que durante décadas serviram de referência para as comunidades locais vêm sofrendo uma drástica redução de suas águas ou até mesmo secando completamente. Casos como os da Lagoa Branca, da Lagoa Seca e da Lagoa do Saquinho evidenciam uma realidade preocupante. Embora os períodos de estiagem contribuam para esse processo, a retirada da vegetação nativa, a degradação das nascentes e as alterações no ciclo natural da água têm agravado significativamente o problema. O desaparecimento dessas lagoas representa não apenas uma perda ambiental, mas também um prejuízo para a biodiversidade, para a paisagem natural e para a memória das comunidades que sempre conviveram com esses ambientes.

Apesar da gravidade desse cenário, a resposta dos órgãos responsáveis ainda está muito aquém da necessidade. Mesmo com os impactos já visíveis sobre a vegetação, os rios e as nascentes, os desmatamentos continuam acontecendo em diferentes áreas do município. A população frequentemente presencia a destruição de áreas naturais sem que haja fiscalização efetiva ou ações concretas capazes de conter esses danos. A falta de monitoramento constante, de programas de recuperação ambiental e de políticas públicas voltadas para a conservação dos ecossistemas contribui para o agravamento dos problemas já existentes.

Essa situação é ainda mais preocupante porque Inhambupe abriga uma rica biodiversidade, incluindo espécies consideradas vulneráveis ou ameaçadas de extinção. Entre elas destacam-se o Papa-taoca-da-Bahia, o Chorozinho-de-boné, o Chorozinho-de-papo-preto, o Anambé-de-asa-branca, a Raposa-do-campo, o Gato-do-mato, o Gato-maracajá e o Gato-mourisco. Algumas dessas espécies possuem distribuição restrita ao Nordeste brasileiro e dependem diretamente da conservação dos remanescentes florestais para sobreviver. A presença desses animais demonstra a importância ambiental do município e reforça a necessidade de proteger os habitats que ainda resistem ao avanço do desmatamento.

A continuidade da destruição das matas coloca em risco não apenas essas espécies, mas todo o equilíbrio ecológico da região. Cada área desmatada representa a perda de abrigo, alimento e locais de reprodução para a fauna silvestre. Além disso, a redução da cobertura vegetal compromete a proteção das nascentes, favorece a degradação dos solos, afeta os cursos d’água e altera as condições climáticas locais.

Diante desse cenário, torna-se indispensável que o poder público invista em ações efetivas de preservação e recuperação ambiental. Entre as medidas necessárias estão o reflorestamento de áreas degradadas, a proteção das nascentes, a recuperação das matas ciliares do Rio Inhambupe, a ampliação da educação ambiental nas escolas e comunidades e o fortalecimento da fiscalização sobre atividades potencialmente degradadoras. Também é fundamental criar estratégias específicas para a proteção das áreas onde ocorrem espécies ameaçadas, garantindo a conservação dos ambientes naturais que ainda permanecem preservados.

Sem iniciativas consistentes, Inhambupe continuará perdendo parte importante de seu patrimônio natural. Proteger a fauna, recuperar ecossistemas degradados e combater o desmatamento não são apenas ações voltadas para a natureza. São medidas essenciais para garantir água, qualidade de vida, segurança climática e desenvolvimento sustentável para as futuras gerações.

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, a reflexão deve ir além das homenagens e das campanhas simbólicas. É preciso reconhecer os desafios ambientais enfrentados pelo município e compreender que desenvolvimento e preservação precisam caminhar juntos. O futuro de Inhambupe dependerá das escolhas feitas hoje.

Preservar o meio ambiente não significa impedir o progresso, mas assegurar que ele aconteça de forma responsável. Cuidar dos biomas presentes no município, proteger seus remanescentes florestais e recuperar o Rio Inhambupe são compromissos coletivos que podem garantir uma cidade mais sustentável, resiliente e preparada para os desafios do futuro.

 Fontes:

LISTA OFICIAL DAS ESPÉCIES DA FAUNA AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO DO ESTADO DA BAHIA ANFÍBIOS, AVES, MAMÍFEROS E RÉPTEIS. Disponível em https://www.bahianoticias.com.br/.../especies%20extincao..

https://brasil.mapbiomas.org/



sábado, 3 de janeiro de 2026

Fé em Tempos de Crise — Quando a Capela do Cemitério se Tornou Matriz de Inhambupe

Entre 14 de abril e 25 de dezembro de 1887, a Capela da irmandade de Nossa Senhora da Conceição, situada no cemitério, passou a exercer provisoriamente a função de Igreja Matriz da paróquia do Divino Espirito Santo de Inhambupe.
Essa medida tornou-se necessária após o desmoronamento da torre sul da Igreja Matriz, ocorrido na noite de 13 de abril de 1887. O acidente foi consequência de uma reforma malsucedida, conduzida pelo padre italiano Júlio Fiorentini, que acabou comprometendo a estrutura do templo e colocando em risco a segurança dos fiéis. Diante da gravidade dos danos, as atividades religiosas precisaram ser imediatamente interrompidas no edifício principal.
Padre Júlio Fiorentini

Durante o período de reconstrução da Igreja Matriz, a Capela da irmandade de Nossa Senhora da Conceição assumiu um papel central na vida religiosa da comunidade, tornando-se o local destinado à realização de missas, celebrações sacramentais e demais atos litúrgicos, assegurando a continuidade da vida pastoral e espiritual da paróquia até a conclusão das obras.
Registro manuscrito do período (Livro Paroquial)
Documento histórico que contextualiza os atos religiosos realizados durante a interdição da Matriz.


Apesar de sua relevância histórica, religiosa e simbólica, a Capela da Irmandade de Nossa Senhora da Conceição foi demolida na década de 1970, em um ato que desconsiderou completamente seu valor como patrimônio histórico e cultural do município. A demolição representou uma perda irreparável para a memória de Inhambupe, apagando um espaço que, por anos, foi testemunha da fé, da organização social e da história local.
Representação artística da Capela da Irmandade de Nossa Senhora da Conceição
Imagem criada por IA, baseada em descrições históricas do templo demolido.


Fontes: MELLO, Pompílio Cavalcante. Inhambupe Esboço histórico-Geográfico. Salvador, BA: Escola Tipográfica Salesiana,1904.

Paroquia do Divino Espírito Santo de Inhambupe registros paroquiais, 1732-1902, disponível em:https://www.familysearch.org/pt/search/catalog/koha:320996 

terça-feira, 5 de agosto de 2025

A Emancipação Política de Inhambupe: Uma Análise Histórica


 A historiografia administrativa brasileira, desde o período colonial até as primeiras décadas da República, apresenta elementos normativos e práticos que permitem compreender de forma precisa os marcos de autonomia municipal. No caso de Inhambupe, a tradição de celebrar sua emancipação em 6 de agosto de 1896 não se sustenta do ponto de vista histórico, pois a autonomia político-administrativa do município remonta a décadas anteriores.

No contexto colonial e imperial, a elevação de uma localidade à categoria de vila representava sua emancipação política. Este ato implicava a instalação de uma Câmara de Vereadores com competência legislativa local, capacidade de arrecadar impostos, elaborar posturas municipais, administrar a justiça de primeira instância, instalar cadeia pública e dispor de um “juiz de fora” ou “juiz ordinário” designado pela Coroa ou pela província.

Por outro lado, a titulação de cidade, conferida sobretudo após a Proclamação da República, tinha caráter essencialmente simbólico e não alterava substancialmente a autonomia municipal já existente. Assim, a data de elevação à cidade não pode ser confundida com a efetiva emancipação.

Primeiros Registros Oficiais da Vila de Inhambupe de Cima

Segundo registro do IBGE (1958), em 26 de junho de 1801, por Carta Régia, determinou-se a instalação da Vila de Inhambupe de Cima, fato consumado em 13 de março de 1802. Posteriormente, em 1816, pelo Alvará Régio de 7 de novembro, criou-se a Freguesia de Inhambupe, desmembrada da de Água Fria, consolidando sua estrutura eclesiástica e administrativa.

Em ofício datado de 13 de junho de 1802, o governador Francisco da Cunha Meneses comunicou ao Rei de Portugal os limites geográficos e a população da recém-criada Vila de Inhambupe de Cima, instituída após o desmembramento da Vila de São João de Água Fria. No documento, detalhou-se a distribuição do distrito, estabelecendo oficialmente a nova configuração territorial da localidade.

"Em observancia da Provisão in fronte, se creou em villa o logar da freguezia do Espirito Santo do Inhambupe de cima, desmembrando-se da Villa de S. João de Agua fria, que antes pertencia esta freguezia e ficando o seu districto com 25 legoas de longitude, 18 da latitude, 1.280 fogos e mais de 6.800 habitantes.

Divide-se ao nascente com a Freguczia do Itapicuru da Praia, do termo da Villa da Abbadia, no logar chamado Mocambo, Riacho Quiambinda e sitio dos Sete páos, ao poente com a freguezia da dita Villa de S. João de Agua fria na Fazenda da Alagóa, que foi de Diogo Alves Campos: ao norte com a Freguezia de N. S.a de Nazareth da Villa do Itapicurú de Cima, no logar chamado Namby, Genipapo e Taboleiro do Sobrado Engenho das Varas brancas, e ao sul com a freguezia de S. Pedro de Sauipe da Torre de Garcia d’Ávila.

Não se Ihe annexou Arrayal algum por não haver visinho. nem as Fazendas e Engenhos declarados na conta inclusa do Ouvidor da Comarca desta Cidade, pelos inconvenientes e incommodos que experimentarião os seus moradores."1

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1BNRJ. Oficio de Francisco da Cunha e Meneses a S.A.R. sobre a divisão da freguesia de Inhambupe e Comarca de Água Fria. Disponível em: <http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_manuscritos/mssp0000197/mssp0000197.pdf>. Acesso em: 02/08/2025.  


Evidências históricas da autonomia pré-1896

Além dos registros oficiais, outros elementos históricos reforçam a anterioridade da emancipação:

·       Criação da Comarca de Inhambupe

A Lei Provincial nº 51, de 21 de março de 1837, criou a Comarca de Inhambupe, o que pressupunha a existência de uma vila plenamente estruturada, com câmara, juízes e demais autoridades locais.

·       Casa de Câmara e Cadeia

O prédio que atualmente abriga a Prefeitura Municipal de Inhambupe, datado de 1845, foi originalmente destinado a sediar a Casa de Câmara e Cadeia, estrutura característica das vilas autônomas no período imperial. Registros documentais reforçam essa condição, como a ata de vereação de 5 de outubro de 1823, que atesta o exercício efetivo das funções administrativas e legislativas locais muito antes de 1896. Soma-se a isso a Representação da Câmara de Inhambupe a Sua Majestade Imperial de 1824, na qual os vereadores expunham a completa impossibilidade de arcar com a remuneração de um sargento-mor e dois ajudantes, além de denunciarem o despotismo do então capitão de ordenanças, já falecido, Domingos Ferreira Veloso, e de seus filhos — evidência clara da atuação política da Câmara e de sua autonomia administrativa no início do século XIX.

·       Registro censitário de 1872

No Censo Demográfico de 1872, Inhambupe já figura como município autônomo, reforçando que sua emancipação política se deu anteriormente à Lei Estadual nº 134/1896.

O equívoco da data de 1896 e exemplos comparativos

A Lei Estadual nº 134, de 6 de agosto de 1896, concedeu foros de cidade à sede do município de Inhambupe, ato que não criou a autonomia municipal, mas apenas mudou a designação administrativa.

Isso fica evidente ao analisarmos o seguinte fragmento:

Em virtude da Lei estadual número 134, de 6 de agosto de 1896, foram concedidos foros de cidade à sede do município de Inhambupe, que na divisão administrativa de 1911, se subdividia em 17 distritos: o da sede e os de Aporá, Calumbi, Mulungu, Caueira, Recreio, Tanquinho, Gibóia, Encantado, Serra, Lagoa, Barreiro, Jacu, Curralinho, Caetitu, Junco e Bebedouro.”2

 

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2INHAMBUPE (BA). In: ENCICLOPÉDIA dos municípios brasileiros. Rio de Janeiro: IBGE, 1958. v. 20. p. 274. Disponível em: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv27295_20.pdf. Acesso em: 02 ago. 2024.

A comparação com outros municípios reforça o argumento:

  • Entre Rios foi elevada à cidade em 1938, mas comemora sua emancipação em 3 de abril de 1872, data da criação da vila.
  • Alagoinhas recebeu o título de cidade em 1880, mas celebra a emancipação em 2 de julho de 1853, quando foi elevada à vila — lembrando que Alagoinhas foi desmembrada de Inhambupe, o que torna incoerente que esta última possua “menos anos” de autonomia que a primeira.
  • Feira de Santana, por muito tempo, comemorou sua emancipação em 16 de julho de 1873 (data que foi elevada à categoria de cidade), até o Monsenhor Renato Galvão contestar a data alegando que em 13 de novembro de 1832 o governo imperial autorizou, por decreto, a criação da vila de em 18 de setembro de 1833 e que a partir desta data a mesma se tornou independente, já que dispunha de comarca, cadeia pública e câmara de vereadores, em 2000 a data de emancipação foi alterada.3

O Testemunho Silencioso de Pompílio Cavalcante

No livro Inhambupe: Esboço Histórico-Geográfico (1904), Pompílio Cavalcante de Mello não faz qualquer menção ao dia 6 de agosto de 1896. Considerando que a obra foi escrita apenas oito anos após essa data e que seu autor tinha como objetivo registrar os principais acontecimentos da história local, é improvável que ele omitisse um evento realmente relevante para a trajetória política do município.

A ausência dessa referência sugere que, para os contemporâneos de Pompílio, a elevação de Inhambupe à categoria de cidade em 1896 não representava um marco de emancipação política, mas apenas uma formalidade administrativa, sem o peso histórico que se atribui atualmente. Essa omissão reforça a tese de que a verdadeira emancipação ocorreu décadas antes, com a criação da Vila de Inhambupe de Cima e a instalação de sua Câmara de Vereadores no início do século XIX.

Considerações finais

À luz da documentação histórica e dos critérios administrativos vigentes no Brasil imperial, a emancipação política de Inhambupe ocorreu no momento de sua elevação à vila e instalação de sua Câmara de Vereadores, entre as primeiras décadas do século XIX.

A fixação de 6 de agosto de 1896 como marco de emancipação distorce a história local, pois corresponde apenas à concessão de foros de cidade — ato honorífico e desprovido de impacto jurídico-administrativo significativo.

 

 

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3SIMAS, Adilson. Por que foi modificada a data do “Dia da Cidade”. Tribuna Feirense, Feira de Santana, 18 set. 2005. Tribuna Geral, p. 2.

Recomenda-se, portanto, que a historiografia municipal e as comemorações oficiais sejam revistas, adotando-se como referência a data vinculada à instalação da vila, possivelmente 13 de março de 1802, conforme os registros da Carta Régia e das demais documentações. Tal correção contribuirá para alinhar a memória histórica de Inhambupe com a verdade documental e com a metodologia historiográfica aplicada ao estudo das emancipações municipais no Brasil.

 

Referências

http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php…|inhambupe|infograficos:-historico acesso em 02/08/2024

Evolução Territorial e Administrativa do Estado da Bahia: Um breve Histórico - publicação SEI 2001

INHAMBUPE (BA). In: ENCICLOPÉDIA dos municípios brasileiros. Rio de Janeiro: IBGE, 1958. v. 20. p. 273-274. Disponível em: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv27295_20.pdf. Acesso em: 02/08 2024.

BAHIA. Lei Estadual nº 134, de 6 de agosto de 1896

Tavares , Luis Henrique Dias – História da Bahia – Salvador; Correio da Bahia, 2000.

http://www.atom.fpc.ba.gov.br/uploads/r/arquivo-publico-do-estado-da-bahia/6/8/7/687af345c32f0caa5a5a4fadcaf40d0a08d50feb421852b97624aa337d210639/BR_BAAPEB_CIBB_COR_012_033.pdf> acesso em 29/06/2024

BRASIL. Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio. Recenseamento Geral do Império do Brasil de 1872. Rio de Janeiro: Typ. Leuzinger, 1876.

Recenseamento Geral do Brazil de 1872.  Disponível em em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv25477_v3_ba.pdf. Acesso em 04/08/2025.

SIMAS, Adilson. Por que foi modificada a data do “Dia da Cidade”. Tribuna Feirense, Feira de Santana, 18 set. 2005. Tribuna Geral, p. 2.

Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (doravante BNRJ). Relação da Freguesia do Divino Espírito Santo do Sertão do Inhambupe de Cima, apresentada pelo vigário encomendado Joaquim de Sant’Anna. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, vol. XXXI, p. 225. Disponível em: <http://objdigital.bn.br/acervo_031_1909.pdf>. Acesso em 02/08/2025.  

BNRJ. Oficio de Francisco da Cunha e Meneses a S.A.R. sobre a divisão da freguesia de Inhambupe e Comarca de Água Fria. Disponível em: <http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_manuscritos/mssp0000197/mssp0000197.pdf>. Acesso em: 02/08/2025.  

BNRJ. Ofício do ouvidor da comarca a D. Fernando José de Portugal sobre situação da freguesia de Inhambupe de cima e necessidade de aí ser erigida uma vila. Manuscrito. Disponível em: http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_manuscritos/mssp0000496/mssp0000496.pdf>. Acesso em: 02/08/2025.  

Representação da Câmara de Inhambupe a S.M.I. sobre a sua total impossibilidade de pagar a um sargento-mor e dois ajudantes e sobre o despotismo do capitão de ordenanças já falecido, Domingos Ferreira Veloso e seus filhos. Disponível em: https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_manuscritos/mssp0000844/mssp0000844.pdf . Acesso em 04/08/2025

 

MARES, Estela. Evolução histórica de Inhambupe. Salvador, BA: ArtContemp,1993

 

MELLO, Pompílio Cavalcante. Inhambupe Esboço histórico-Geográfico. Salvador, BA: Escola Tipográfica Salesiana,1904.

 

https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ba/alagoinhas/historico.  Acesso em 03/08/2025

 

https://hemeroteca-pdf.bn.gov.br/402630/per402630_1915_00037.pdf . Acesso em 03/08/2025

 

 

 

 

 

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Carrapateiro

Carrapateiro, zona rural de Sátiro Dias. Foto Gilson Santana

O carrapateiro é uma ave falconiforme da família Falconidae. É um dos falcões mais conhecidos do Brasil. Também é conhecido pelos nomes de caracará-branco, caracaraí, caracaratinga, carapinhé, chimango, gavião-pinhé, papa-bicheira, pinhé, pinhém, chimango-branco, chimango-carrapateiro, chimango-do-campo e gavião-carrapateiro. É encontrado em todo o Brasil.

Características

Mede entre 36 e 45 centímetros de comprimento, o peso do macho varia entre 277 e 335 gramas e o da fêmea varia entre 307 e 364 gramas. Sua envergadura atinge 74 centímetros. Cabeça e corpo branco-amarelado, dorso marrom-escuro, lista pós ocular preta, asas longas com mancha branca perceptível quando em voo. A cauda é longa com larga banda terminal marrom escura.
dimorfismo sexual se apresenta numa área entre os olhos e o bico, onde o macho possui a pele nua com uma cor amarelo-alaranjada, na fêmea esta pele é de coloração rosa-pálido.

Alimentação

Alimenta-se principalmente dos parasitas de bovinos e equinos tais como bernes e carrapatos. Quando não encontra carrapatos, seu prato principal, alimenta-se de lagartas e cupins, saqueia ninhos, alimenta-se de rãs, insetos, lagartos, carniça, frutas e outras opções. Em remanescentes florestais preda parasitas de herbívoros de grande porte, como a anta e os veados. Mas esses animais não são encontrados com facilidade, nem em grande número, assim, pode-se dizer que é uma das poucas espécies que se beneficiam do desmatamento para a formação de pastos e criação de grandes rebanhos, pois encontra vasta quantidade de carrapatos. Nas regiões litorâneas se alimenta de peixes acostados pelas marés, conforme observado na Ilha do Mel.

Carrapateiro, zona rural de Inhambupe. Foto Gilson Santana.

Reprodução

Constrói grandes ninhos, de ramos secos, em palmeiras ou em outras árvores. Os ovos, de 5 a 7, são redondos, pardo-amarelos com manchas pardo-vermelhas. A fêmea encarrega-se da incubação e o macho fornece-lhe o alimento durante tal período. A incubação dos ovos dura de 21 a 23 dias. Após o nascimento dos filhotes o macho continua a alimentar a fêmea e esta, por sua vez, os jovens.

Hábitos

O carrapateiro é frequentemente encontrado nas fazendas de gado, com o qual vive associado, retirando carrapatos destes. Frequentemente é encontrado retirando carrapatos de capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris), pois estes animais, por viverem grande parte do tempo no meio aquático para proteção, acabam se tornando hospedeiros de grandes quantidades de carrapatos. Habita pastagens, campos com árvores esparsas, vizinhanças de cidades e margens de rodovias, onde costuma ficar forrageando ao redor ou pousado sobre o dorso de equinos e bovinos a procura de carrapatos e outros parasitas. Quando em sobrevoo, emite um grito agudo que soa como “pinhé” (som que é suficiente para identificá-lo), semelhante ao canto do gavião-carijó (Rupornis magnirostris). É muito visto em áreas urbanas.

Distribuição Geográfica

Ocorre da América Central ao norte do Uruguai e da Argentina e em todo o território brasileiro.


Fontes:
https://www.wikiaves.com.br/wiki/carrapateiro

https://pt.wikipedia.org/wiki/Carrapateiro

sábado, 3 de agosto de 2024

Jiboia (Boa constrictor constrictor)

 

Jiboia, zona rural de Inhambupe. Foto Gilson Santana.


jiboia é uma espécie de serpente grande e não peçonhenta, membro da família Boidae e encontrada em regiões tropicais da América do Norte, Central e do Sul, assim como em algumas ilhas no Caribe. Nove subespécies são atualmente reconhecidas, embora algumas sejam controversas.

No Brasil, existem duas subespécies: a Boa constrictor constrictor (Forcart, 1960) e a Boa constrictor amarali (Stull, 1932). A primeira é amarelada, de hábitos mais pacíficos e própria da região amazônica e do nordeste. Pode chegar a um tamanho adulto de até 4 metros, embora raramente atinja essa marca. A segunda, jiboia-amarali, pode ser encontrada mais ao sul e sudeste e algumas vezes em regiões mais centrais do país. Pode chegar a um tamanho adulto de 2 metros.

Em termos de comportamento, primeiramente, podemos dizer que a jiboia é bem ativa durante à noite, no entanto, espécimes já foram observadas de dia quando estavam em busca de abrigo. São serpentes que podem ser encontradas tanto no solo, quanto no alto das árvores.


Quando se sentem ameaçadas, elas apresentam um comportamento todo próprio. Elas simplesmente contraem o pescoço e a cabeça, e emitem uma sonoridade bem aguda, conhecida popularmente como bafo da Jiboia. Sem contar ainda que ela pode soltar fezes, e até morder o seu predador.

É considerado um animal vivíparo porque, no final da gestação, o embrião recebe os nutrientes necessários do sangue da mãe. Alguns biólogos desvalorizam essa parte final da gestação e consideram-na apenas ovovivípara porque, apesar de o embrião se desenvolver dentro do corpo da mãe, a maior parte do tempo é dedicada à incubação num ovo separado do corpo materno. A gestação pode levar seis meses, podendo haver de 12 a 64 crias por ninhada, que nascem com cerca de 48 centímetros de comprimento e 75 gramas de peso.

Detecta as presas pela percepção do movimento e do calor e as surpreende em silêncio. Alimenta-se de pequenos mamíferos (principalmente ratos), aves e lagartos que mata por constrição, envolvendo o corpo da presa e sufocando-a. A sua boca é muito dilatável e apresenta dentes serrilhados nas mandíbulas, dentição áglifa. A digestão é lenta, normalmente durando sete dias e podendo estender-se a algumas semanas, período durante o qual fica parada, num estado de torpor.

Animal muito dócil, apesar de ter fama de perigoso; não é peçonhento (apesar de sua mordida ser dolorosa e poder causar infecção) e não consegue comer animais de grande porte, sendo inofensiva para eles. É muito perseguida por caçadores e traficantes de animais, pois tem um valor comercial alto como animal de estimação, além de sua pele poder ser usada na confecção de artefatos de couro.


FONTES:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jiboia-constritora

https://www.mundoecologia.com.br/animais/ficha-tecnica-da-jiboia-peso-altura-tamanho-e-imagens/

terça-feira, 2 de julho de 2024

A participação do Município de Inhambupe na Independência da Bahia

O município de Inhambupe, localizado no estado da Bahia, desempenhou um papel significativo e muitas vezes pouco reconhecido na luta pela independência da Bahia, ocorrida em 2 de julho de 1823. Esse evento foi crucial para a consolidação da independência do Brasil, já que a Bahia foi um dos últimos redutos de resistência portuguesa no território brasileiro. A participação de Inhambupe e seus habitantes nesse processo histórico reflete a coragem e determinação do povo baiano em busca da liberdade.

Contexto Histórico

A independência da Bahia foi um processo marcado por intensos conflitos entre tropas brasileiras e portuguesas, que se estenderam desde a declaração de independência do Brasil em 1822 até a vitória definitiva dos brasileiros em 1823. A resistência na Bahia foi particularmente acirrada, com batalhas importantes ocorrendo em Salvador e em várias localidades do interior baiano.

A Contribuição de Inhambupe

Inhambupe, situado a cerca de 160 km de Salvador, era um ponto estratégico devido à sua localização geográfica e ao seu potencial agrícola. Durante o período da luta pela independência, a cidade serviu como um importante ponto de apoio logístico para as tropas brasileiras, rota de comunicação e até como lugar de prisão de tropas inimigas. Seus habitantes, movidos pelo desejo de liberdade e justiça, contribuíram de diversas formas para o esforço de guerra, tendo inclusive enviado à Cachoeira um contingente de 100 homens. A decisão de Inhambupe de enviar homens para Cachoeira reflete o comprometimento do município com a causa da independência. Esse grupo de voluntários, formado por homens corajosos e determinados, foi fundamental para fortalecer as fileiras das forças de resistência e assegurar o sucesso das operações militares contra os portugueses.

·       Recrutamento de Soldados: 

 Muitos moradores de Inhambupe se alistaram voluntariamente nas forças de resistência, juntando-se às fileiras de combatentes que enfrentaram as tropas portuguesas, ao todo foram enviados cerca de 100 homens para Cachoeira. Esses voluntários, motivados por um forte senso de patriotismo, foram fundamentais para aumentar os efetivos brasileiros.

·       Apoio Logístico e Fornecimento de Recursos: 

A região de Inhambupe, conhecida por sua produção agrícola, forneceu alimentos e outros recursos essenciais para as tropas. O apoio logístico, incluindo mantimentos e transporte, foi crucial para manter a moral e a capacidade operacional das forças brasileiras.

Entre os destaques desse esforço coletivo, merece menção o gesto do Capitão Manoel Álvares de Azevedo, que doou diversas cabeças de gado de seu próprio rebanho para o sustento das tropas que passaram pela vila. Além disso, cedeu cavalos, carros de bois e até escravizados, com o objetivo de contribuir com o transporte e as necessidades das forças que combatiam em nome da independência.

·       Participação no Conselho Interino:

Esse conselho foi um governo provisório, formado por líderes civis e militares baianos, com o objetivo de organizar a resistência à dominação portuguesa e garantir a fidelidade da província ao imperador D. Pedro I, recém-aclamado em outubro de 1822. Funcionando como a autoridade legítima da Bahia libertada, o Conselho Interino coordenava a formação de tropas, a arrecadação de recursos e a articulação política entre os municípios que já haviam aderido à causa brasileira.

O município de Inhambupe teve participação direta nesse processo. Em 14 de outubro de 1822, Simão Gomes Ferreira Veloso, representante de Inhambupe, foi escolhido juntamente com Francisco Gomes Brandão Montezuma (de Salvador) para levar ao imperador D. Pedro I um relatório oficial com as ações do Conselho e a situação da resistência baiana. Essa escolha demonstra o prestígio e a relevância de Inhambupe nas decisões políticas da época.

·       Prisão de Tropas Portuguesas:

Inhambupe ainda serviu como local de detenção de soldados inimigos. Em 28 de junho de 1823, o capitão e 26 marinheiros da escuna canhoneira portuguesa, ancorada no Rio Paraguaçu, foram presos após se renderem e transferidos para a cadeia pública de Inhambupe, evidenciando o papel estratégico do município no conflito.

 

Significado na Luta pela Independência

A contribuição de Inhambupe e de outras cidades do interior baiano destaca a importância da participação popular na luta pela independência. A vitória em 2 de julho de 1823 não foi apenas resultado de batalhas travadas nas grandes cidades, mas também de um esforço coletivo que envolveu diversas comunidades menores, que, com seus recursos e determinação, ajudaram a moldar o destino do Brasil.

“Após estes acontecimentos dezenas de famílias e soldados brasileiros começaram a deixar Salvador rumo às vilas do Recôncavo, onde começou a ganhar força a resistência à ocupação portuguesa em Salvador. Várias localidades da Bahia, entre elas: São Francisco do Conde, Cachoeira, Santo Amaro, Saubara, Nazaré, Caetité, Inhambupe, Itapicuru reuniram tropas de voluntários, reconheceram a autoridade de D. Pedro frente ao governo do Brasil e colaboraram com mantimentos e munições para compor o Exército Brasileiro, responsável pela organização da resistência no solo baiano.” (in.: INDEPENDÊNCIA DA BAHIA Sessão especial realizada no dia 4 de julho de 2011 no Plenário do Senado Federal: BRASÍLIA – DF, p. 06).

Legado e Memória

Hoje, embora muitas vezes esquecida nos relatos oficiais, a história de Inhambupe é um símbolo de resistência e bravura. A celebração do 2 de julho é um momento para refletir sobre o papel das comunidades locais na construção da nação brasileira. Honrar a memória daqueles que lutaram pela liberdade é essencial para manter vivo o espírito de independência e unidade que caracterizou essa fase decisiva da história do Brasil.

Conclusão

A importância de Inhambupe na independência da Bahia é um testemunho do impacto que pequenas comunidades podem ter em eventos históricos de grande escala. A participação ativa de seus habitantes na luta pela liberdade demonstra que a força de um povo reside em sua união e determinação. Reconhecer e valorizar essa contribuição é fundamental para preservar a história e inspirar futuras gerações a defender os valores de liberdade e justiça.

Gilson Santana dos Santos

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS:

 

https://repositorio.ufba.br/bitstream/ufba/461/1/Acao%20da%20Bahia%20na%20obra%20da%20independencia%20nacional.pdf > Acesso em 30/06/2024

https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=792823>Acesso em 30/06/2024

SOUZA, Maria Aparecida Silva de. Bahia de capitania, a província 1808-1823Dissertação de Doutorado em HistóriaSão Paulo, Universidade de São Paulo 2008.

TAVARES, Luis Henrique Dias. História da Bahia. (10ª edição). São Paulo: EDUNESP: Salvador: EDUFBA, 2001.

TAVARES, Luis Henrique Dias. Independência do Brasil na Bahia. Salvador: EdUFBA, 2005.

Enciclopédia do municípios brasileiros volume XX IBGE 1958

http://www.atom.fpc.ba.gov.br/index.php/ata-de-vereacao-em-cumprimento-de-portaria-da-junta-provisoria-de-1-de-setembro-de-1823-averiguando-as-pessoas-que-mais-se-destacaram-pela-causa-da-independencia-do-brasil > acesso em 29/06/2024

http://www.atom.fpc.ba.gov.br/uploads/r/arquivo-publico-do-estado-da-bahia/6/8/7/687af345c32f0caa5a5a4fadcaf40d0a08d50feb421852b97624aa337d210639/BR_BAAPEB_CIBB_COR_012_033.pdf> acesso em 29/06/2024