terça-feira, 23 de abril de 2024

A cada um segundo 17 animais vertebrados morrem atropelados nas rodovias do país

 

Raposa (Lycalopex vetulus), BR 110 Inhambupe


Mão-Pelada, Guaxinim (Procyon cancrivorus) BR 110 Inhambupe


  Gato-mourisco ou jaguarundi (Herpailurus yagouaroundi) estrada vicinal zona rural de Inhambupe


A perca de seus habitats tem levado várias espécies de animais silvestres a procurarem alimentos em áreas urbanas e com isso o número de animais atropelados tem aumentado assustadoramente.

Um estudo da UFLA (Universidade Federal de Lavras) estima que a cada um segundo 17 animais vertebrados morrem atropelados nas rodovias do país. Com uma malha rodoviária de cerca de 1,7 milhão de quilômetros, segundo levantamento da CNT (Confederação Nacional do Transporte), o Brasil é um dos países do mundo que mais registra atropelamentos de animais.

Segundo Alex Bager, professor da UFLA, cerca de 475 milhões de animais são atropelados por ano, sendo que os pequenos vertebrados, representados por todos os anfíbios, roedores, pequenas aves, cobras e lagartos, são os mais afetados pelos atropelamentos nas estradas, representando 90% de todos os animais mortos.





As sete rodovias com maior índice de registros de atropelamentos de animais são:

1) BR-110 - Dois trechos dessa via que merecem atenção redobrada dos motoristas é o próximo a São Sebastião do Passé e Alagoinhas, ambos na Bahia.

2) BR-101 - O trecho da rodovia próximo da Reserva Biológica Sooretama, no Espírito Santo, é um dos que mais registra atropelamentos de animais. 

3) BR-471 - Localizada no extremo Sul do Brasil, o trecho que mais requer atenção do motorista para risco de acidentes com animais é entre Pelotas e Chuí, no Rio Grande do Sul.

4) BR-262 - A rodovia requer atenção do motorista principalmente no trecho entre Três Lagoas e Corumbá, no Mato Grosso do Sul.

5) BR-163 - Segundo pesquisadores, o risco de atropelamento se concentra em todo o trecho da rodovia que liga duas capitais do Centro-Oeste brasileiro: Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT).

6) BR-153 - O maior risco de acidente com animais é no trecho entre Araguaína (TO) até Marabá (PA).

7) MS-040 - A rodovia estadual, entre Brasilândia e Santa Rita do Pardo, ambos municípios do Mato Grosso Sul, também aparece na lista das rodovias mais perigosas para sofrer acidentes com animais.


Medidas que diminuem o risco à fauna

Cercamento: são estruturas instaladas entre a rodovia e o ambiente do entorno de forma a impedir o acesso dos animais à pista de rodagem e conduzi-los às estruturas de travessia segura.

Passagem inferior de fauna: são estruturas especialmente projetadas para a travessia de fauna sob a rodovia, podendo ser secas ou mistas, dependendo das características dos animais do grupo-alvo.

Passagem superior de fauna: também chamadas de passagens aéreas de fauna ou pontes de dossel, as passagens superiores de fauna são estruturas eficazes para mitigar a fragmentação de ambientes interceptados por estradas e rodovias.

Viadutos para a fauna: os viadutos vegetados de fauna são estruturas construídas sobre as rodovias e ferrovias para manter a conectividade dos habitats, servindo tanto como passagem de fauna como habitat intermediário para pequenas espécies.

Redutores de velocidade: reduzir a velocidade é uma das medidas para diminuir acidentes na pista e o número de colisões veiculares com fauna. A velocidade reduzida oferece maior margem de tempo para o motorista perceber o animal e evitar a colisão, além de possibilitar que o animal perceba o veículo e consiga se afastar a tempo.

Placas de sinalização: placas de alerta de vida silvestre são a forma mais usada e difundida de mitigação de colisões veiculares com fauna em rodovias.

Faixa de travessia para a fauna: uma nova estratégia para redução de colisões com animais na pista viralizou recentemente na internet. Trata-se de uma sinalização especial, parecida com uma faixa de pedestres, mas colorida com imagens de patas de animais. O objetivo é alertar os motoristas sobre os pontos de passagem frequente de animais silvestres.

Aplicativos para smartphone: uma das medidas mais recentes é um aplicativo para celulares, que emite alertas sonoros e visuais quando o usuário entra em uma zona de risco para colisões com animais e acidentes de trânsito. Exemplos: o aplicativo Waze, o aplicativo U-Safe, idealizado pela Environbit, e o aplicativo Heróis da Estrada, desenvolvido pelo Projeto Bandeiras e Rodovias. 

O que fazer se encontrar um animal ferido na pista

O que fazer: Acione ajuda o mais rápido possível. Seu chamado pode ajudar a salvar um animal ferido. Nas rodovias, é possível contar com a ajuda de alguns órgãos responsáveis, que possuem profissionais treinados para o resgate e destinação do animal ferido, como Polícia Militar Ambiental, empresa concessionária da rodovia, bombeiros e Polícia Federal Rodoviária.

O que não fazer: Em hipótese alguma, toque ou se aproxime do animal. Os animais silvestres feridos estão num estado extremo de estresse. Isso pode levá-los ao estado de alerta e a atacar por se sentirem ameaçados, por exemplo, na presença de um humano.

Não leve o animal para casa, nem para outro lugar. Transportar animal silvestre sem autorização é crime ambiental e pode colocar sua vida e a do animal em risco. Caso o animal morra, não toque nele. Algumas doenças podem ser transmitidas mesmo após a morte e, para sua saúde e segurança, é melhor não tocar.

Fonte:

uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2024/02/26/o-que-rodovias-estao-fazendo-para-evitar-acidentes-com-animais.htm#:~:text=Pequenos%20ou%20grandes%2C%20animais%20são,atropelados%20nas%20rodovias%20do%20país.


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