terça-feira, 7 de maio de 2024

Fazenda Coité

 

Sede da fazenda Coité, zona rural do município de Aporá. Foto Gilson Santana

 A fazenda Coité localizado nas margens do Rio Inhambupe na divisa dos  municípios de Aporá e Inhambupe , teve origem no século XVIII, quando o Capitão Pedro Gomes Leão Ferreira Veloso, construí a primeira sede da fazenda para o casamento de sua filha Jacinta. Depois de passar por sucessivas heranças, a propriedade passa a pertencer aos irmãos Marcos leão Veloso e Domingos Leão Veloso, Marcos compra a parte do irmão e tornasse o único proprietário da propriedade, é nesse período que o engenho alcança seu apogeu, ele reestruturou o engenho aumentando a produção de açúcar, construiu um canal no Rio Inhambupe para utilizar a força das suas águas para movimentar o moinho e também para irrigar a plantação de cana de açúcar. Acreditasse que nessa época o engenho chegou a ter em torno de 200 escravos, foi tamanha a sua importância que o mesmo chegou a ter uma feira aos domingos que chegou a ser uma das maiores da região. Em entrevista a Jorge Raimundo Pereira da Silva em 2014 o senhor José Ferreira, de 90 anos, neto de escravos, nascido e criado na fazenda Coité deu o seguinte depoimento:

Minha avó Flora, mãe do meu pai, dizia que no tempo dos cativos, na feira do Engenho Coité, tinha de tudo. Vendia feijão, farinha, galinha, porco, carneiro, e até boi matava pra vender. As barracas ficavam todas enfileiradas na frente da casa-grande. E vinha gente de todo lugar comprar nessa feira. Eu ainda alcancei essa feira quando era menino, mas já estava fraca e logo depois acabou.

Com a morte de Marcos, herda a fazenda João Veloso Gordilho que no final do século XIX a vende a Joaquim Climério Dantas Bião. O fim da escravidão e o declino da economia açucareira fazem com que a fazenda passe a produzir outras culturas como milho e arroz, o sistema de irrigação é ampliado para melhor favorecer as plantações.  Em 1936 falece Joaquim Bião e a propriedade é herdada por seus primos Mario Cerqueira Bião e João Cerqueira Bião. Em 1951 a fazenda é vendida a Armando Berenguer, com isso a fazenda passa a dedicasse só a pratica da pecuária. Com a morte de Armando Berenguer, a fazenda passa para suas filhas Luci Berenguer Gomes e Maria da Gloria Guimarães Berenguer.

A casa sede da fazenda é de interesse arquitetônico, com varanda em L, recoberta por telhado de quatro águas. Decorada com azulejos portugueses do século XIX e uma capela em estilo neoclássico.


Sede da fazenda Coité, zona rural do município de Aporá. Foto Gilson Santana


Planta do uso atual da Fazenda Coité(IPAC). Foto Gilson Santana


Pia de Ferro. Foto Gilson Santana

Detalhe da  pia de ferro. Foto Gilson Santana.

A Fazenda conta ainda com uma vasta área de mata preservada.




Mapa do município de Aporá disponível em  https://sei.ba.gov.br/site/geoambientais/mapas/pdf/municipal/mapa_sem_descritivo_2901908_1.pdfSEI
Editado por Gilson Santana.






FONTES:

SILVA, Jorge Raimundo Pereira da. Comunidade Negra rural de Piçarra em sua formação Histórica. (Segunda metade do século XIX). Dissertação de licenciatura em História. Esplanada, Ba: UNEB.2014.

SILVA, Edson Pereira da, O Preço da liberdade: experiências de escravos e libertos na Vila de Inhambupe - Bahia (1870 – 1888). São Paulo. Editora Dialética, 2021.

Bahia Secretaria da Cultura e Turismo. Inventário de proteção do acervo cultural da Bahia (Monumentos e Sítios das Mesorregiões do Nordeste, Vale Sanfraciscano e Extremo Oeste; vol. 6) -Salvador: SCT:PEAT. 1999

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