segunda-feira, 20 de maio de 2024

Abelha Mangangá (Xylocopa)

 

Abelha mangangá polinizando flor bugainvillea, zona rural do município de Sátiro Dias. Foto Gilson Santana.

Mangangá ou  mamangaba,  as Xylocopini são um grupo  de abelhas formada por um único gênero (Xylocopa) que pertence à subfamília Xylocopinae. As abelhas deste grupo são popularmente conhecidas como abelhas carpinteiras, devido ao seu comportamento de nidificação.

Também são conhecidas, assim como as abelhas do gênero Bombus, por: mangangámamangava, entre outros. Esse grupo abrange abelhas de grande porte, chegando a medir até 45 mm (4,5 cm), sendo que os machos no subgênero Neoxylocopa apresentam forte dimorfismo sexual, com cores variando do marrom ao amarelo. Esse grupo inclui mais 700 espécies descritas; e apresenta distribuição cosmopolita com maior diversidade nas regiões tropicais e subtropicais do novo e velho mundo. Sendo que destas, 50 ocorrem no Brasil.

A maioria dessas espécies nidificam em tecidos vegetais secos, como: troncos mortos, ocos e gomos de bambu; ou ainda em tecidos vegetais vivos, como no caso do sabugueiro (Sambucus nigra), possuem comportamentos tidos como sociais, ou em uma boa parte são na realidade subsociais, que assim como afirma Zanella e Martins: “Dentre as espécies solitárias, há algumas que, durante um certo tempo, cuidam das crias jovens, em sua fase larval (apresentando assim sobreposição de gerações). Essas espécies são denominadas subsociais”.

São considerados exímios polinizadores, quando se trata da polinização do maracujá amarelo (Passiflora edulis), devido ao seu grande porte e a polinização por vibração realizada por estes.

A importância da abelha mangangá na polinização é significativa. Assim como outras espécies de abelhas, elas desempenham um papel fundamental na reprodução de plantas, incluindo muitas espécies vegetais que são importantes para a produção de alimentos. Ao coletar néctar, as abelhas mangangás transportam grãos de pólen de uma flor para outra, promovendo a fertilização e a produção de frutos e sementes.

Além disso, como a mangangá, são importantes para a preservação da biodiversidade em ecossistemas naturais. Sua atuação na polinização contribui para a reprodução de plantas nativas e para a manutenção dos habitats naturais.

A preservação da abelha mangangá e de outras espécies de abelhas é essencial para garantir a continuidade dos processos naturais de polinização e para manter a diversidade das plantas em nosso ambiente. A conscientização sobre a importância desses polinizadores e a proteção de seus habitats são passos cruciais para assegurar um equilíbrio saudável nos ecossistemas onde atuam.

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Xylocopini

https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2024/03/05/polinizacao-feita-por-abelha-mamangava-aumenta-produtividade-de-maracuja.ghtml

https://ecoa.org.br/mamangavas/

https://diversitasjournal.com.br/diversitas_journal/article/view/2555


Mais de 500 milhões de abelhas morreram no Brasil devido ao uso de agrotóxicos

 

Abelha polinizando uma flor, zona rural do município de Sátiro Dias. Foto Gilson Santana.

As abelhas desempenham um papel muito importante na manutenção da vida no nosso planeta. Estimasse que existam cerca de  20 mil espécies de abelhas espalhadas  pelo mundo, e no Brasil mais de 1500 espécies nativas, sendo a maioria solitárias. dentre as espécies sociais destacasse mais de 300 espécies de de abelhas-sem-ferrão. espécies nativas. Elas são responsáveis pela polinização de uma grande variedade de plantas, incluindo muitos alimentos que fazem parte da nossa dieta diária. Além disso, a produção de mel é uma atividade econômica importante em muitas regiões do mundo, proporcionando emprego e sustento para muitas famílias.

A extinção das abelhas teria consequências desastrosas para o meio ambiente e para a produção de alimentos. Sem a polinização feita por esses insetos, muitas plantas não seriam capazes de se reproduzir, levando a uma redução significativa na produção de frutas, legumes e sementes. Isso poderia resultar em escassez de alimentos e impactos negativos na biodiversidade.

No Brasil, a morte em massa de abelhas é um problema preocupante. Cerca de 500 milhões de abelhas morreram no país, e o uso excessivo de agrotóxicos é apontado como um dos principais motivos. O país é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. Uma investigação realizada pelo Greenpeace em parceria com a organização Public Eye divulgada no 16 de maio de 2023, revelou que o Brasil foi o principal destino de agrotóxicos neonicotinóides exportados pela União Europeia (UE): 6.272 toneladas só em 2021, o que corresponde a  quase metade do total das exportações daquele ano. Esse tipo de agrotóxicos é altamente nocivo para insetos polinizadores, motivo pelo qual é proibida em países da UE. Entretanto, empresas do bloco europeu seguem fabricando e vendendo esse tipo de veneno para o Brasil, onde a lei é mais permissiva, essa prática tem contribuído significativamente para o declínio das populações de abelhas. Além disso, a introdução de espécies de abelhas estrangeiras também tem impactado negativamente as abelhas nativas, ameaçando sua sobrevivência.

É crucial que medidas sejam adotadas para proteger as abelhas e reduzir os impactos negativos do uso de agrotóxicos e da introdução de espécies estrangeiras. A conscientização sobre a importância das abelhas na polinização e na manutenção dos ecossistemas naturais é essencial. Além disso, promover práticas agrícolas mais sustentáveis e a proteção das espécies nativas de abelhas são passos fundamentais para garantir um futuro saudável para esses importantes polinizadores e para o nosso suprimento de alimentos.

Abelha Mangangá, polinizando uma flor Bougainvillea. Zona rural de Sátiro Dias. Foto Gilson Santana.

Fontes:

https://www.greenpeace.org/brasil/imprensa/milhares-de-abelhas-morrem-no-brasil-pelo-uso-de-agrotoxico/?appeal=21057&utm_source=google&utm_medium=paid&utm_campaign=florestas&utm_content=aq_20230809_grants&utm_term=a%20import%C3%A2ncia%20das%20abelhas&utm_campaign=&utm_source=adwords&utm_medium=ppc&hsa_acc=7235609613&hsa_cam=19664562138&hsa_grp=151832535586&hsa_ad=669323469102&hsa_src=g&hsa_tgt=kwd-675622074882&hsa_kw=a%20import%C3%A2ncia%20das%20abelhas&hsa_mt=b&hsa_net=adwords&hsa_ver=3&gad_source=1&gclid=Cj0KCQjw6auyBhDzARIsALIo6v9L4j4vcaUP9aFcpT8P4seamhI6Lz5KWWeX0yQAJSGl0KW_dbnvRRcaApUVEALw_wcB

https://www.embrapa.br/meio-ambiente/abelhas-nativas#:~:text=nossas%20abelhas%20nativas!,possuem%20mais%20de%20300%20esp%C3%A9cies.

https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2022/05/abelhas-por-que-sao-importantes-e-como-podemos-evitar-seu-desaparecimento

https://agro.estadao.com.br/summit-agro/quais-sao-os-principais-tipos-de-abelhas-no-brasil

domingo, 19 de maio de 2024

urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura)

 

Urubu-da-cabeça-vermelha, zona rural do município de Inhambupw. Foto Gilson Santana.

O urubu-de-cabeça-vermelha é uma ave cathartiforme da família Cathartidae. É também conhecido como urubu-real, urubu-caçador, urubu-de-cobra e no Ceará é conhecido como camiranga.

Características

Mede de 62-81 cm de comprimento e seu peso varia de 850 até 2000 g. Possui longas asas que chegam a 1,82 metro de envergadura, sendo relativamente estreitas e mantidas em formato de “V”. Dessa forma, aproveita a menor brisa disponível para voar sobre a vegetação e o solo, às vezes a poucos metros do chão. Nessa busca de sustentação, mantém as asas rígidas e vira o corpo de lado a outro, parecendo um voo errático, que não vai se manter. Muito raramente bate as asas e, mesmo assim, só para iniciar o movimento. Igualmente, desloca-se a grandes alturas, mantendo o perfil característico de voo.
Na ave juvenil ou na adulta, as longas penas das asas são cinza escuro. Esse contraste é característico desta espécie. O adulto possui a pele nua da cabeça e pescoço vermelhos, além de um escudo nucal branco, visível em boas condições de luz; quando juvenil tem a cabeça negra.

Alimentação

Saprófaga, localiza as carcaças pelo olfato, sendo uma das poucas aves em que esse sentido é apurado. Graças à sua capacidade de voo e sensibilidade do olfato, costuma ser o primeiro urubu a chegar na carniça. Nem sempre é o que se banqueteia melhor, porque logo é seguido pelas outras espécies e afastado por elas. Muitas vezes, espera as demais alimentarem-se, para, então, voltar a comer. De forma ocasional, pode capturar e matar pequenos vertebrados, apanhados nos voos rasantes.

Reprodução

Nidifica no solo ou, mais raramente, em ocos de árvores. Em qualquer caso, locais bem cobertos por vegetação e protegidos. Coloca dois ovos e a incubação dura de 38 a 41 dias. Quando nascem os filhotes, são alimentados com alimento regurgitado pelos pais. A partir dos 70 dias de vida, inicia seus voos.

Hábitos

Habita campos, matas e bosques. À noite, dirige-se para pousos tradicionais, seja nas árvores da mata ribeirinha, seja em capões nos campos. Esses pousos são comunais, ocasionalmente com 20 ou 30 urubus de várias espécies.

Particularidades

No Brasil é proibido por lei matar algum urubu ou criá-lo em cativeiro sem o consentimento do IBAMA.

Em um programa sobre curiosidades animais, no canal de TV paga NatGeo Wild, o urubu-de-cabeça-vermelha ficou com a segunda colocação numa lista dos dez animais mais fedorentos do mundo, perdendo apenas para o gambá norte-americano.

Os urubus não vocalizam.

Difere em voo do urubu-preto pela maior envergadura, pelas cores das penas das asas (metade branca, metade preta), que no alto dão um aspecto mais pardo no meio dos outros urubus. Tem a cauda ligeiramente mais comprida e a ponta das asas parece um pouco mais arredondada. Voa com as asas ligeiramente mais levantadas e não com as asas retas. É inconfundível pela maneira como plana e voa tão lentamente que parece parar no ar. Quando faz curvas, as faz mais “fechadas” em seu próprio eixo, enquanto outros urubus fazem curvas mais longas, dando grandes voltas no céu.

Geralmente é visto voando sobre os picos de morros e regiões altas.

Distribuição Geográfica

Ocorre desde o sul do Canadá até a América do Sul. Seu período migratório vai de julho a novembro.


Fonte:

https://www.wikiaves.com.br/wiki/urubu-de-cabeca-vermelha

sábado, 18 de maio de 2024

Urubu-de-cabeça-amarela (Cathartes burrovianus)

 

Urubu-de-cabeça-amarela, zona rural do município de Inhambupe. Foto Gilson Santana

Urubu-de-cabeça-amarela ou urubu-menor-de-cabeça-amarela (Cathartes burrovianus) é uma ave necrófaga da família Cathartidae, que pode ser encontrada no México, na Argentina e no Brasil. É uma ave de porte médio, podendo chegar a até 69 cm de comprimento, podendo pesar entre 950g a 1550g.Tem esse segundo nome em comparação com o urubu-da-mata (Cathartes melambrotus), que é chamado também de urubu-maior-de-cabeça-amarela, por causa de pequenas diferenças, como os lados do pescoço amarelados e plumagem negra com mancha branca na face inferior das asas, visível apenas em voo e uma envergadura de asas um pouco menor do que a do urubu-da-mata.Também é conhecido pelo nome de urubupeba.

Características

O urubu-de-cabeça-amarela tem 53 a 65 centímetros de comprimento e pesa entre 950-1550 g. Ostenta uma envergadura de 1,60 metro.
A coloração do corpo e asas é semelhante à do urubu-da-mata (Cathartes melambrotus). À distância, a cabeça parece amarelo clara, quase branca. Apresenta menos franjas no pescoço, uma cauda mais curta e tons marrons na plumagem. A plumagem da parte interna das asas apresenta coloração uniforme, diferentemente da plumagem do urubu-da-mata (Cathartes melambrotus), que apresenta penas claras e escuras.
O juvenil possui a cabeça negra.
Também possui olfato apurado e chega rapidamente às carniças, onde, assim como o urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura), é afastado com a chegada de outras espécies de urubus.

Espécies Semelhantes

As espécies urubu-de-cabeça-amarela e urubu-da-mata são bastante parecidas, distinguindo-se por detalhes sutis na sua forma (“shape”), na coloração da cabeça, no tamanho das aves e na proporção entre asas e cauda. A região de ocorrência também auxilia na correta identificação da espécie.

Alimentação

Alimenta-se principalmente de pequenas presas ou de carniça, hábito que o condiciona como uma espécie saprófaga. É um caçador ativo, capturando pequenos vertebrados em voos rasantes.

Reprodução

Faz ninho em grandes cavidades de árvores, pondo ovos branco-amarronzados manchados de marrom. Nidifica em locais semelhantes e o filhote nasce com uma plumagem fina e branca, mantida nas primeiras semanas.

Hábitos

Habita beiradas de rios e lagoas florestadas, áreas pantanosas e campos. Vive normalmente solitário ou em grupos de alguns indivíduos, bem espaçados. Paira baixo sobre pantanais ou campos alagados, sendo incomum encontrá-lo voando alto. Pousa em postes baixos e cercas.
Possui os mesmos hábitos gerais das espécies da mesma família, às vezes usando os mesmos pousos noturnos.
Urubu-de-cabeça-amarela, zona urbana do município de Inhambupe. Foto Gilson Santana.

Distribuição Geográfica

Encontrado em diversas regiões do Brasil, é mais comum no Nordeste e na Amazônia, sendo ainda o urubu predominante nas restingas do Rio de Janeiro. Presente também desde o México até o norte da Argentina e Uruguai.

Conservação

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) a classificou como "espécie pouco preocupante". Tal status foi aferido em decorrência de sua abrangência de 7 800 000 km2 (3 000 000 sq mi) e de sua população, estimada entre 100.000 e 1.000.000. Sua tendência populacional parece ser estável.


FONTES:

https://www.wikiaves.com.br/wiki/urubu-de-cabeca-amarela

https://pt.wikipedia.org/wiki/Urubu-de-cabe%C3%A7a-amarela



quarta-feira, 15 de maio de 2024

Urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus)

 

Urubu-de-cabeça-preta, zona rural do município de Inhambupe. Foto Gilson Santana

O urubu-preto é uma ave da família Cathartidee, mesma família dos condores. Das cinco espécies de urubus presentes no Brasil, eles são a espécie mais comum. Esses animais são conhecidos, principalmente, por seu hábito alimentar, baseado, geralmente na ingestão de carne em decomposição. Em virtude de seu habito alimentar, os urubus destacam-se por seu papel na limpeza do ambiente, pois garantem a eliminação de carcaças de animais, diminuindo, assim, o risco de doenças provenientes desses corpos em decomposição.

Características

Dentre os urubus, é o de menor envergadura. Apesar de seu tamanho, é o mais agressivo dos urubus menores, disputando avidamente uma carcaça com as outras espécies. Não possui o olfato apurado do gênero Cathartes, localizando a carniça pela visão direta ou observando os outros urubus pousando para comer. Costuma deslocar-se a grande altura, usando as correntes de ar quente para diminuir o custo energético do voo. Sua visão é excepcional, tendo boa acuidade para objetos a grande distância. Para diferenciá-lo dos outros urubus, em voo, destaca-se o formato mais curto e arredondado das asas, com a ponta mantida um pouco à frente da cabeça. Quase no final de cada asa, forma-se uma área mais clara, quase um círculo. Exceto por essa área mais clara, adultos e jovens são totalmente negros, inclusive a pele nua da cabeça e o pescoço. Além do planeio passivo, batem ativamente as asas, produzindo um ruído forte e característico. Outro som único é produzido pelas asas, soando como se fosse um avião a jato. Deixam-se cair de grande altura, em voo picado, para frear nas proximidades do solo ou da vegetação, abrindo as asas. O ar passando rapidamente pelas penas das asas produz o som.
O urubu-preto possui de comprimento 56-76 centímetros e de envergadura cerca de 143 centímetros, com peso de 1,180 kg para macho e 1,940 para fêmea. O peso varia de 1.180-3.000 kg.

Alimentação

Saprófaga, alimenta-se de carcaças de animais mortos e outros materiais orgânicos em decomposição, bem como de animais vivos impedidos de fugir, como filhotes de tartarugas e de outras aves.

Reprodução

Faz ninho em ocos de árvores mortas, entre pedras e outros locais abrigados, geralmente com incidência de árvores. Põe 2 ovos branco-azulados manchados com muitos pontos marrons.

Filhotes de Urubu-de-cabeça-preta, zona rural do município de Aporá. Foto Gilson Santana

Hábitos

No ambiente natural, alimenta-se das mesmas carniças das outras espécies. Nas proximidades das casas, busca restos de comida e partes de animais domésticos abatidos. Acostuma-se com a presença humana e, em alguns locais, circula até junto de galinhas e outras aves domésticas, quando sua forma peculiar de andar bamboleando chama a atenção, sendo popularmente chamada de passo do urubu malandro. Quando está andando próximo a outros urubus, deixa a cauda ereta aparecendo entre as asas. Além de carniça, costuma comer pequenos vertebrados e ovos. Em dias muito quentes, pousa nas margens de rios e lagoas para beber água e resfriar as pernas. Entra na água rasa e molha as pernas completamente. Ocorre em campos naturais, borda de matas, áreas rurais e urbanas.

Urubu-de-cabeça-preta, zona rural do município de Inhambupe. Foto Gilson Santana

Distribuição Geográfica

O urubu-preto tem uma distribuição neoártica e neotropical. Sua área de ocorrência abrange o meio-Atlântico da América do Norte, incluindo Nova Jersey, sul dos Estados Unidos, México, América Central e parte da América do Sul. Geralmente é um residente permanente em todos os locais em que é encontrado, embora as aves no extremo norte possam migrar distâncias curtas, e outras em toda a sua extensão possam deslocar-se em condições desfavoráveis. Na América do Sul, seu alcance se estende à região central do Chile. Ele também é encontrado como vagante nas ilhas do Caribe. Prefere terra aberta intercalada com áreas de floresta ou bosque. Ocorre ainda em florestas úmidas de baixa altitude, matas e descampados, pântanos e brejos, pastos e florestas antigas fortemente degradadas. Tem preferência por terrenos baixos, e raramente é visto em áreas montanhosas. Ele geralmente é avistado planando ou empoleirado em postes, cercas ou árvores mortas.


FONTES:

https://mundoeducacao.uol.com.br/biologia/urubu.htm

https://pt.wikipedia.org/wiki/Urubu-de-cabe%C3%A7a-preta

https://www.wikiaves.com.br/wiki/urubu-preto

terça-feira, 14 de maio de 2024

Coruja-buraqueira (Athene cunicularia)

 

Coruja-buraqueira, zona rural do município de Inhambupe. Foto Gilson Santana

A coruja-buraqueira é uma ave strigiforme da família Strigidae. Também conhecida pelos nomes de caburé, caburé-de-cupim, caburé-do-campo, coruja-barata, coruja-do-campo, coruja-mineira, corujinha-buraqueira, corujinha-do-buraco, corujinha-do-campo, guedé, urucuera, urucureia, urucuriá, coruja-cupinzeira (algumas cidades de Goiás) e capotinha. Com o nome científico cunicularia (“pequeno mineiro”), recebe esse nome por cavar buracos no solo. Vive cerca de 9 anos em habitat selvagem. Costuma viver em campos, pastos, restingas, desertos, planícies, praias e aeroportos.

Características

Ave de pequeno porte, seu tamanho médio é de 21,5 a 28,5 cm (machos) e de 22 a 25 cm (fêmeas). Pesa entre 110 e 285 g (machos) e entre 150 a 265 g (fêmeas). Possui a cabeça redonda, sem penachos e os olhos estão dispostos lado a lado, num mesmo plano. As sobrancelhas são brancas e os olhos amarelos. A coloração é cor de terra, mimética, podendo apresentar plumagem em tons de ferrugem causados por solos de terra roxa (coloração adventícia). Ao contrário da maioria das corujas, o macho é ligeiramente maior que a fêmea e as fêmeas são normalmente mais escuras que os machos, principalmentena face. Tem voo suave e silencioso. Ela tem que virar a pescoço, pois seus grandes olhos estão dispostos lado a lado num mesmo plano. Essa disposição frontal proporciona à coruja uma visão binocular (enxerga um objeto com ambos os olhos e ao mesmo tempo). Isso significa que a coruja pode ver objetos em três dimensões, ou seja, com altura, largura e profundidade. Os olhos da coruja-buraqueira são bem grandes, em algumas subespécies de corujas são até maiores que o próprio cérebro, a fim de melhorar sua eficiência em condições de baixa luminosidade, captando e processando melhor a luz disponível. Além de sua privilegiada visão, a buraqueira possui uma ótima audição, conseguindo localizar sua presa com apenas este sentido. Não possui topetes na “orelha”, tem um disco facial aplainado. Sua sobrancelha é branca, possui um remendo branco no queixo, que se assemelha a uma boca grande desenhada. O adulto possui um tom de cor forte, tem o peito e a barriga com coloração parda, traços cor de terra, variações de marrom, que lembram manchas e barras. O jovem é similar na aparência, mas é gorduchinho, desengonçado, com as penas descabeladas e coloração leve. Seu peito é totalmente branco, sem as variações marrons, possui uma barra amarela passando por toda a asa superior. Estudos indicaram que não existe forma segura de diferenciar os sexos nesta espécies, pois são similares em tudo, sendo quase impossível diferenciar o casal. O maior inimigo da coruja buraqueira é o homem, visto que, por ser uma ave de rapina, quase não tem predadores naturais, seus principais predadores naturais são: A Coruja do mato, o Carcará e o Gavião-de-rabo-branco. Entretanto, o danoso trânsito de carros sobre a vegetação da praia é o principal fator da destruição da coruja buraqueira, juntamente com outras espécies da fauna da praia que compõem a cadeia alimentar, pois, ao passarem sobre a boca dos ninhos, esses veículos soterram o túnel, matando mãe e filhotes asfixiados debaixo da camada de areia em que se encontram.

Coruja-buraqueira, zona urbana município de Inhambupe. Foto Gilson Santana.

Alimentação

É uma predadora de pequeno porte com hábito carnívoro-insetívoro, sendo considerada generalista por consumir as presas mais abundantes de acordo com a estação, tendo preferência por roedores. As ordens de insetos consumidas são: coleópteros (besouros), ortóptera (grilos e gafanhotos), díptera e himenóptera. Os vertebrados consumidos são representados pelos: roedentia, marsupialia, amphibia, répteis squamata, microquiroptero (morcegos verdadeiros).

Reprodução

A reprodução da coruja-buraqueira começa entre março ou abril. Faz seus ninhos em cupinzeiros, buracos de tatu e buracos na areia em regiões litorâneas, costumando cavar túneis de até 2 metros e forrar o fundo com capim seco. O casal se reveza, alarga o buraco, cava uma galeria horizontal usando os pés e o bico e por fim forra a cavidade do ninho com capim seco. As covas possuem em torno de 1,5 a 3 metros de profundidade e 30 a 90 centímetros de largura. Ao redor acumula estrume e se alimenta dos insetos atraídos pelo cheiro. Botam, em média, de 6 a 11 ovos; o número mais comum é de 7 a 9 ovos. A incubação dura de 28 a 30 dias e é executada somente pela fêmea. Enquanto a fêmea bota os ovos, o macho providencia a alimentação e a proteção para os futuros filhotes. Os cuidados da cria enquanto ainda estão no ninho são tarefa do macho. Os filhotes saem do ninho com aproximadamente 44 dias e começam a caçar insetos quando estão com 49 a 56 dias. Os filhotes, ao escutarem o alerta, entram no ninho, enquanto os adultos voam para pousos expostos e atacam decididamente qualquer fonte de perigo para os filhos. Podem defender o ninho, voando em direção a um predador potencial, inclusive pessoas, desviando no último momento; visualizada várias vezes vocalizando e espantando invasores como cachorros e gatos.

Hábitos

Costuma viver em campos, cerrados, pastos, restingas, planícies, praias, aeroportos e terrenos baldios em cidades. Coruja terrícola, tem hábitos diurnos e noturnos, mas é ativa, principalmente durante o crepúsculo, quando faz uso de sua ótima audição. Tem o campo visual limitado, mas essa deficiência é superada pela capacidade de girar a cabeça até 270 graus, o que ajuda na focalização.
Ocupa ambientes alterados pela ação humana, inclusive cidades e pistas de pouso ou aeroportos. A coruja-buraqueira possui um comportamento peculiar, além dos próprios feitos pelas corujas, por ser vista durante o dia e ficar pousada, ereta, em locais expostos ou no solo, em postes, troncos, muros, em cima de cactos etc. Tem o hábito de ficar sobre uma perna, o que não é copiado por outras corujas. Utiliza um buraco não somente para assentamento, mas para descansar, esconder-se, como um refúgio durante o dia e construir ninhos, normalmente ocupados por um casal. É uma coruja tímida, mas é ligeiramente tolerante à presença humana. Cava seus próprios buracos com a ajuda dos pés e do bico, ficando até mesmo toda suja na construção da toca, mas ela prefere os buracos já feitos, abandonados por outros animais como os tatus, cães-da-pradaria, texugos ou esquilos de chão. Na chegada da primavera, a buraqueira macho escolhe ou escava um buraco, normalmente em regiões de capim baixo, onde preda com facilidade insetos e pequenos roedores no solo. O casal se reveza, alargando o buraco, cavando uma galeria horizontal usando os pés e o bico e, por fim, forrando a cavidade do ninho com capim seco. As corujas foram observadas em colônias, havendo uma área pequena de buraco para buraco. Tais agrupamentos podem ser uma resposta a uma abundância de buracos e alimento ou uma adaptação para a defesa mútua. Os membros da colônia podem alertar-se à aproximação dos predadores e juntar-se e fugir. Essas corujas têm o costume de coletar uma larga variedade de materiais para revestir seu ninho. O material mais comum é o estrume, que é colocado dentro da câmara do ninho e em volta da entrada. Acreditava-se que a coruja fazia isso para encobrir o cheiro dos ovos e dos filhotes, a fim de protegê-los de predadores, como os texugos-americanos. No entanto, foi descoberta uma utilização mais nutritiva e criativa. As tocas com estrume contêm dez vezes mais besouro-do-estrume do que as das corujas que não usam estrume. Isso ocorre porque os besouros, cuja própria atividade nidificadora consiste em achar estrume para depositar seus ovos, acabam sendo atraídos pelas buraqueiras. Assim, o estrume proporciona alimento fácil para as fêmeas incubadoras e, é claro, também para os próprios machos, que passam a maior parte do tempo protegendo os buracos dos ninhos e por isso não têm oportunidade de caçar. Esse esterco também serve para ajudar a controlar o microclima dentro da cova, não o deixando quente demais. A qualquer sinal de perigo, a coruja buraqueira emitem um som alto, forte e estridente. Esse alarme é dado durante o dia, chamando a atenção para a coruja. Os filhotes, ao escutarem o alerta, entram no ninho, enquanto os adultos voam para pousos expostos e atacam decididamente qualquer fonte de perigo para os filhos. Eles também fazem outros sons que são descritos como pancadas e gritos, que é parecido com “piá, piar, piaaar”. Quando as buraqueiras emitem esses sons, normalmente estão movimentando a cabeça, para baixo e para cima. Os filhotes também emitem sons: quando perturbados, produzem um som que lembra o de uma cascavel, espantando assim os predadores.
Coruja-buraqueira, zona urbana do município de Inhambupe. Foto Gilson Santana

Distribuição Geográfica

Ocorre do sul do Canadá à Terra do Fogo, bem como em quase todo o Brasil com exceção da bacia Amazônica. Já existem registros fotográficos comprovando a ocorrência da coruja buraqueira (Athene cunicularia) em todos os Estados brasileiros, incluindo a bacia Amazônica.

FONTES:

https://www.wikiaves.com.br/wiki/coruja-buraqueira

https://pt.wikipedia.org/wiki/Coruja-buraqueira


quinta-feira, 9 de maio de 2024

jaçanã (Jacana jacana)

 



A jaçanã  é uma ave que ocorre na América do Sul, charadriiforme, da família dos Jacanidae. Também são conhecidas pelos nomes de aguapeaçoca, cafezinho, casaca-de-couro, ferrão, japiaçó, japiaçoca, marrequinha, menininho-do-banhado, nhaçanã, nhançanã, nhanjaçanã, piaçó, piaçoca, pia-sol e narceja. Em certas regiões do sul do Brasil é também conhecida por asa-de-seda ou maria-faceira.

Dá nome a um bairro famoso da cidade de São Paulo, eternizado na canção “Trem das onze” de Adoniram Barbosa. Em certos lugares da África e da Austrália, as espécies de jaçanã são conhecidas como “Jesus bird”, porque parecem andar em cima da água!

Características

Uma das aves mais comuns nos brejos e margens de rios, possui os pés enormes para seu tamanho. Além de ter os dedos longos e finos, também as unhas são muito compridas. No dedo que fica para trás, a unha é mais longa do que o próprio dedo. Esse arranjo possibilita suas caminhadas sobre as plantas aquáticas, dividindo o peso do corpo em uma larga base. Anda e corre pelas folhas das plantas boiando como se estivesse em chão seco.
Medem cerca de 23 cm de comprimento, possuindo plumagem negra com manto castanho, bico amarelo com escudo frontal vermelho, rêmiges verde-amareladas, encontro com um afiado esporão vermelho. Sua plumagem juvenil é toda branca embaixo, com as costas marrom acinzentado e parte superior do pescoço e cabeça escuros. Uma listra branca inicia-se sobre os olhos e estende-se pela nuca e parte de trás do pescoço. As longas penas das asas amarelas, como no adulto, formam a única característica comum entre as duas plumagens. Parecem pertencer a outra espécie. Não possui dimorfismo sexual.

Alimentação

Nas plantas, ou logo abaixo delas, encontra os insetos, pequenos peixes e outros invertebrados de sua alimentação. Come também grãos.

Reprodução

Vive aos casais ou em pequenos grupos, sendo a fêmea maior do que o macho. Em alguns locais, as fêmeas montam pequenos haréns de machos, os quais tomam conta dos ninhos. Os ovos ficam em estruturas formadas por talos de plantas aquáticas, flutuantes. Durante 28 dias são chocados os 4 ovos da postura, sendo papel masculino todo o trabalho de criação. Se alguma fêmea que não seja a esposa do macho aparecer, vai estraçalhar os ovos enquanto o macho só fica olhando, por causa de amnésia, acaba acasalando com ela no final. Os filhotes recém-nascidos andam sobre a vegetação no primeiro dia após nascerem e logo perdem a penugem branca da barriga e castanha das costas.

Hábitos

Embora sejam relativamente sociáveis em alguns locais ou épocas do ano, defendem seus territórios contra outras jaçanãs (ou cafezinhos, nome pantaneiro). As fêmeas são particularmente agressivas. Nessas ocasiões voam diretamente para o intruso, emitindo seu peculiar chamado, como uma risada fina e longa. Ao pousarem, para intimidar o invasor, mantêm as asas abertas e esticadas para o alto, destacando as penas longas, amarelas, das asas. Nessa postura, aparece o esporão amarelo do encontro das asas. Através dessas atitudes, intimidam a ave invasora. Ocasionalmente, ocorre luta corporal.

Possuem alguns predadores, a maioria são falcões e gaviões como o falcão-peregrino (Falco peregrinus), gavião-do-banhado (Circus buffoni) e gavião-cinza (Circus cinereus).


Distribuição Geográfica

A jaçanã tem vasta distribuição nas Américas, ocorrendo a partir das Guianas até a Venezuela, Colômbia, Brasil, Bolívia, Argentina, Equador, Peru e Chile .


FONTES:

https://www.wikiaves.com.br/wiki/jacana

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ja%C3%A7an%C3%A3



quarta-feira, 8 de maio de 2024

Espanta Boiada (Vanellus chilensis)

 


Espata Boiada, também conhecido por quero-quero, é uma ave da ordem dos Charadriiformes, pertencendo à família dos Charadriidae. Ocorre em toda a América do Sul e em alguns pontos da América Central, e sendo uma ave muito popular acabou por fazer parte do folclore de várias regiões.


Características

Mede 37 centímetros de comprimento e pesa cerca de 277 gramas.
Possui um esporão pontudo, ósseo, com 1 centímetro de comprimento no encontro das asas, uma faixa preta desde o pescoço ao peito e ainda umas penas longas (penacho) na região posterior da cabeça; tem um desenho chamativo de preto, branco e cinzento na plumagem. A íris e as pernas são avermelhadas. O esporão é exibido a rivais ou inimigos com um alçar de asa ou durante o voo. Não possui dimorfismo sexual.

Alimentação

O Espanta Boiada se alimenta de invertebrados aquáticos e peixinhos que encontra na lama. Para capturá-los, ele agita a lama com as patas para provocar a fuga de suas presas. Também se alimenta de artrópodes e moluscos terrestres.

Reprodução

Na primavera, a fêmea põe normalmente de três a quatro ovos. Nidifica em uma cavidade esgravatada no solo; os ovos têm formato de pião ou pera, forma adequada para rolarem ao redor de seu próprio eixo e não lateralmente, sendo manchados, confundindo-se perfeitamente com o solo. Quando os adultos são espantados do ninho, fingem-se de feridos a fim de desviar dali o inimigo; o macho torna-se agressivo até mesmo a um homem. Os filhotes são nidífugos, capazes de abandonar o ninho quase que imediatamente após o descascamento do ovo.

Hábitos

Costuma viver em banhados e pastagens; é visto em estradas, campos de futebol e próximo a fazendas, frequentemente longe d'água. O Espanta boiada é sempre o primeiro a dar o alarme quando algum intruso invade seus domínios. É uma ave briguenta que provoca rixa com qualquer outra espécie habitante da mesma campina. As capivaras tiram bom proveito da convivência com o quero-quero, pois, conforme a entonação, o grito dessa ave pode significar perigo. Então os grandes roedores procuram refúgio na água.
Essa característica faz do Espanta boiada um excelente animal de guarda, sendo utilizado por algumas empresas que possuem seu parque fabril populado por estas aves.

Predadores

Seus principais predadores são: O carcará,  gavião-caboclo, gavião-de rabo-branco, sucuri, teiú, gavião-pato.

Distribuição Geográfica

O Espanta Boiada é uma ave típica da América do Sul, sendo encontrado desde a Argentina e leste da Bolívia até a margem direita do baixo Amazonas, no Brasil. Habita as grandes campinas úmidas, espraiados dos rios e lagoas e pastagens. 




FONTES:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Quero-quero

https://www.wikiaves.com.br/wiki/quero-quero

terça-feira, 7 de maio de 2024

Fazenda Coité

 

Sede da fazenda Coité, zona rural do município de Aporá. Foto Gilson Santana

 A fazenda Coité localizado nas margens do Rio Inhambupe na divisa dos  municípios de Aporá e Inhambupe , teve origem no século XVIII, quando o Capitão Pedro Gomes Leão Ferreira Veloso, construí a primeira sede da fazenda para o casamento de sua filha Jacinta. Depois de passar por sucessivas heranças, a propriedade passa a pertencer aos irmãos Marcos leão Veloso e Domingos Leão Veloso, Marcos compra a parte do irmão e tornasse o único proprietário da propriedade, é nesse período que o engenho alcança seu apogeu, ele reestruturou o engenho aumentando a produção de açúcar, construiu um canal no Rio Inhambupe para utilizar a força das suas águas para movimentar o moinho e também para irrigar a plantação de cana de açúcar. Acreditasse que nessa época o engenho chegou a ter em torno de 200 escravos, foi tamanha a sua importância que o mesmo chegou a ter uma feira aos domingos que chegou a ser uma das maiores da região. Em entrevista a Jorge Raimundo Pereira da Silva em 2014 o senhor José Ferreira, de 90 anos, neto de escravos, nascido e criado na fazenda Coité deu o seguinte depoimento:

Minha avó Flora, mãe do meu pai, dizia que no tempo dos cativos, na feira do Engenho Coité, tinha de tudo. Vendia feijão, farinha, galinha, porco, carneiro, e até boi matava pra vender. As barracas ficavam todas enfileiradas na frente da casa-grande. E vinha gente de todo lugar comprar nessa feira. Eu ainda alcancei essa feira quando era menino, mas já estava fraca e logo depois acabou.

Com a morte de Marcos, herda a fazenda João Veloso Gordilho que no final do século XIX a vende a Joaquim Climério Dantas Bião. O fim da escravidão e o declino da economia açucareira fazem com que a fazenda passe a produzir outras culturas como milho e arroz, o sistema de irrigação é ampliado para melhor favorecer as plantações.  Em 1936 falece Joaquim Bião e a propriedade é herdada por seus primos Mario Cerqueira Bião e João Cerqueira Bião. Em 1951 a fazenda é vendida a Armando Berenguer, com isso a fazenda passa a dedicasse só a pratica da pecuária. Com a morte de Armando Berenguer, a fazenda passa para suas filhas Luci Berenguer Gomes e Maria da Gloria Guimarães Berenguer.

A casa sede da fazenda é de interesse arquitetônico, com varanda em L, recoberta por telhado de quatro águas. Decorada com azulejos portugueses do século XIX e uma capela em estilo neoclássico.


Sede da fazenda Coité, zona rural do município de Aporá. Foto Gilson Santana


Planta do uso atual da Fazenda Coité(IPAC). Foto Gilson Santana


Pia de Ferro. Foto Gilson Santana

Detalhe da  pia de ferro. Foto Gilson Santana.

A Fazenda conta ainda com uma vasta área de mata preservada.




Mapa do município de Aporá disponível em  https://sei.ba.gov.br/site/geoambientais/mapas/pdf/municipal/mapa_sem_descritivo_2901908_1.pdfSEI
Editado por Gilson Santana.






FONTES:

SILVA, Jorge Raimundo Pereira da. Comunidade Negra rural de Piçarra em sua formação Histórica. (Segunda metade do século XIX). Dissertação de licenciatura em História. Esplanada, Ba: UNEB.2014.

SILVA, Edson Pereira da, O Preço da liberdade: experiências de escravos e libertos na Vila de Inhambupe - Bahia (1870 – 1888). São Paulo. Editora Dialética, 2021.

Bahia Secretaria da Cultura e Turismo. Inventário de proteção do acervo cultural da Bahia (Monumentos e Sítios das Mesorregiões do Nordeste, Vale Sanfraciscano e Extremo Oeste; vol. 6) -Salvador: SCT:PEAT. 1999

segunda-feira, 6 de maio de 2024

Engenho Fazenda Frade

 

Chaminé, parte do que sobrou da estrutura do Engenho Frade. Fotografia de Gilson Santana, 29/ 08/2022


O engenho Frade do qual não se tem muitas informações, estava localizado nas margens do Rio da Caatinga onde hoje é o povoado de Frade (Boca do Mato) município de Aporá - Bahia. Na segunda metade do século XIX pertencia ao Coronel Maurício José de Souza Dantas e foi um dos maiores engenhos da Região, menor que o engenho do Coité, tinha boa produção de açúcar e um grande número de escravos. Segundo dona Maria Isabel, de 100 anos de Idade, filha de ex-escravos, nascida e criada no Engenho Frade, “no engenho tinha mais de cem escravos, entre adultos e crianças”. Com o fim da escravidão o engenho perdeu grande parte de sua mão de obra fazendo com caísse bastante a produção. No início do século XX o coronel Herculano que havia herdado o engenho se ver obrigado a vende-lo ao fazendeiro Belmiro.

Nas terras que pertenceram ao Engenho Frade formou-se o povoado do Frade, que  abriga uma população majoritariamente afrodescendente, o povoado originou-se a partir de um grupo de ex-escravos que preferiram permanecer próximo ao antigo engenho para que continuassem  oferecendo ao engenho sua mão de obra, adotando inclusive o mesmo nome do engenho no povoado. A pratica de doar terras pouco agricultáveis constituía uma estratégia dos ex-senhores, pois ao disporem de terras não utilizadas e de baixa produtividade conseguiam manter próximo a mão de obra que tanto precisavam. O coronel Mauricio doou terras que além de não serem utilizadas eram de mato fechado, sendo talvez essa a origem do outro nome dado a localidade “Boca do Mato”.

Outras Comunidades vizinhas como Olhos D’água e Jurema também tiveram suas origens relacionadas ao engenho Frade. O nascimento de comunidades negras nessa região, se deu em áreas quem não eram aproveitadas por seus proprietários, que ao cedê-las aos ex-escravos, abriam mão de terras de pouco interesse econômico para os mesmos, mas garantiam mão de obra para suas fazendas e engenhos. 

Mapa do município de Aporá com a localização do Engenho Frade, Editado do mapa de Aporá da SEI. Disponível em  https://sei.ba.gov.br/site/geoambientais/mapas/pdf/municipal/mapa_sem_descritivo_2901908_1.pdfSEI
Editado por Gilson Santana.


FONTES:

SILVA, Jorge Raimundo Pereira da. Comunidade Negra rural de Piçarra em sua formação Histórica. (Segunda metade do século XIX). Dissertação de licenciatura em História. Esplanada, Ba: UNEB.2014.

SILVA, Edson Pereira da, O Preço da liberdade: experiências de escravos e libertos na Vila de Inhambupe - Bahia (1870 – 1888). São Paulo. Editora Dialética, 2021.