segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Carrapateiro

Carrapateiro, zona rural de Sátiro Dias. Foto Gilson Santana

O carrapateiro é uma ave falconiforme da família Falconidae. É um dos falcões mais conhecidos do Brasil. Também é conhecido pelos nomes de caracará-branco, caracaraí, caracaratinga, carapinhé, chimango, gavião-pinhé, papa-bicheira, pinhé, pinhém, chimango-branco, chimango-carrapateiro, chimango-do-campo e gavião-carrapateiro. É encontrado em todo o Brasil.

Características

Mede entre 36 e 45 centímetros de comprimento, o peso do macho varia entre 277 e 335 gramas e o da fêmea varia entre 307 e 364 gramas. Sua envergadura atinge 74 centímetros. Cabeça e corpo branco-amarelado, dorso marrom-escuro, lista pós ocular preta, asas longas com mancha branca perceptível quando em voo. A cauda é longa com larga banda terminal marrom escura.
dimorfismo sexual se apresenta numa área entre os olhos e o bico, onde o macho possui a pele nua com uma cor amarelo-alaranjada, na fêmea esta pele é de coloração rosa-pálido.

Alimentação

Alimenta-se principalmente dos parasitas de bovinos e equinos tais como bernes e carrapatos. Quando não encontra carrapatos, seu prato principal, alimenta-se de lagartas e cupins, saqueia ninhos, alimenta-se de rãs, insetos, lagartos, carniça, frutas e outras opções. Em remanescentes florestais preda parasitas de herbívoros de grande porte, como a anta e os veados. Mas esses animais não são encontrados com facilidade, nem em grande número, assim, pode-se dizer que é uma das poucas espécies que se beneficiam do desmatamento para a formação de pastos e criação de grandes rebanhos, pois encontra vasta quantidade de carrapatos. Nas regiões litorâneas se alimenta de peixes acostados pelas marés, conforme observado na Ilha do Mel.

Carrapateiro, zona rural de Inhambupe. Foto Gilson Santana.

Reprodução

Constrói grandes ninhos, de ramos secos, em palmeiras ou em outras árvores. Os ovos, de 5 a 7, são redondos, pardo-amarelos com manchas pardo-vermelhas. A fêmea encarrega-se da incubação e o macho fornece-lhe o alimento durante tal período. A incubação dos ovos dura de 21 a 23 dias. Após o nascimento dos filhotes o macho continua a alimentar a fêmea e esta, por sua vez, os jovens.

Hábitos

O carrapateiro é frequentemente encontrado nas fazendas de gado, com o qual vive associado, retirando carrapatos destes. Frequentemente é encontrado retirando carrapatos de capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris), pois estes animais, por viverem grande parte do tempo no meio aquático para proteção, acabam se tornando hospedeiros de grandes quantidades de carrapatos. Habita pastagens, campos com árvores esparsas, vizinhanças de cidades e margens de rodovias, onde costuma ficar forrageando ao redor ou pousado sobre o dorso de equinos e bovinos a procura de carrapatos e outros parasitas. Quando em sobrevoo, emite um grito agudo que soa como “pinhé” (som que é suficiente para identificá-lo), semelhante ao canto do gavião-carijó (Rupornis magnirostris). É muito visto em áreas urbanas.

Distribuição Geográfica

Ocorre da América Central ao norte do Uruguai e da Argentina e em todo o território brasileiro.


Fontes:
https://www.wikiaves.com.br/wiki/carrapateiro

https://pt.wikipedia.org/wiki/Carrapateiro

sábado, 3 de agosto de 2024

Jiboia (Boa constrictor constrictor)

 

Jiboia, zona rural de Inhambupe. Foto Gilson Santana.


jiboia é uma espécie de serpente grande e não peçonhenta, membro da família Boidae e encontrada em regiões tropicais da América do Norte, Central e do Sul, assim como em algumas ilhas no Caribe. Nove subespécies são atualmente reconhecidas, embora algumas sejam controversas.

No Brasil, existem duas subespécies: a Boa constrictor constrictor (Forcart, 1960) e a Boa constrictor amarali (Stull, 1932). A primeira é amarelada, de hábitos mais pacíficos e própria da região amazônica e do nordeste. Pode chegar a um tamanho adulto de até 4 metros, embora raramente atinja essa marca. A segunda, jiboia-amarali, pode ser encontrada mais ao sul e sudeste e algumas vezes em regiões mais centrais do país. Pode chegar a um tamanho adulto de 2 metros.

Em termos de comportamento, primeiramente, podemos dizer que a jiboia é bem ativa durante à noite, no entanto, espécimes já foram observadas de dia quando estavam em busca de abrigo. São serpentes que podem ser encontradas tanto no solo, quanto no alto das árvores.


Quando se sentem ameaçadas, elas apresentam um comportamento todo próprio. Elas simplesmente contraem o pescoço e a cabeça, e emitem uma sonoridade bem aguda, conhecida popularmente como bafo da Jiboia. Sem contar ainda que ela pode soltar fezes, e até morder o seu predador.

É considerado um animal vivíparo porque, no final da gestação, o embrião recebe os nutrientes necessários do sangue da mãe. Alguns biólogos desvalorizam essa parte final da gestação e consideram-na apenas ovovivípara porque, apesar de o embrião se desenvolver dentro do corpo da mãe, a maior parte do tempo é dedicada à incubação num ovo separado do corpo materno. A gestação pode levar seis meses, podendo haver de 12 a 64 crias por ninhada, que nascem com cerca de 48 centímetros de comprimento e 75 gramas de peso.

Detecta as presas pela percepção do movimento e do calor e as surpreende em silêncio. Alimenta-se de pequenos mamíferos (principalmente ratos), aves e lagartos que mata por constrição, envolvendo o corpo da presa e sufocando-a. A sua boca é muito dilatável e apresenta dentes serrilhados nas mandíbulas, dentição áglifa. A digestão é lenta, normalmente durando sete dias e podendo estender-se a algumas semanas, período durante o qual fica parada, num estado de torpor.

Animal muito dócil, apesar de ter fama de perigoso; não é peçonhento (apesar de sua mordida ser dolorosa e poder causar infecção) e não consegue comer animais de grande porte, sendo inofensiva para eles. É muito perseguida por caçadores e traficantes de animais, pois tem um valor comercial alto como animal de estimação, além de sua pele poder ser usada na confecção de artefatos de couro.


FONTES:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jiboia-constritora

https://www.mundoecologia.com.br/animais/ficha-tecnica-da-jiboia-peso-altura-tamanho-e-imagens/

terça-feira, 2 de julho de 2024

A participação do Município de Inhambupe na Independência da Bahia

O município de Inhambupe, localizado no estado da Bahia, desempenhou um papel significativo e muitas vezes pouco reconhecido na luta pela independência da Bahia, ocorrida em 2 de julho de 1823. Esse evento foi crucial para a consolidação da independência do Brasil, já que a Bahia foi um dos últimos redutos de resistência portuguesa no território brasileiro. A participação de Inhambupe e seus habitantes nesse processo histórico reflete a coragem e determinação do povo baiano em busca da liberdade.

Contexto Histórico

A independência da Bahia foi um processo marcado por intensos conflitos entre tropas brasileiras e portuguesas, que se estenderam desde a declaração de independência do Brasil em 1822 até a vitória definitiva dos brasileiros em 1823. A resistência na Bahia foi particularmente acirrada, com batalhas importantes ocorrendo em Salvador e em várias localidades do interior baiano.

A Contribuição de Inhambupe

Inhambupe, situado a cerca de 160 km de Salvador, era um ponto estratégico devido à sua localização geográfica e ao seu potencial agrícola. Durante o período da luta pela independência, a cidade serviu como um importante ponto de apoio logístico para as tropas brasileiras, rota de comunicação e até como lugar de prisão de tropas inimigas. Seus habitantes, movidos pelo desejo de liberdade e justiça, contribuíram de diversas formas para o esforço de guerra, tendo inclusive enviado à Cachoeira um contingente de 100 homens. A decisão de Inhambupe de enviar homens para Cachoeira reflete o comprometimento do município com a causa da independência. Esse grupo de voluntários, formado por homens corajosos e determinados, foi fundamental para fortalecer as fileiras das forças de resistência e assegurar o sucesso das operações militares contra os portugueses.

·       Recrutamento de Soldados: 

 Muitos moradores de Inhambupe se alistaram voluntariamente nas forças de resistência, juntando-se às fileiras de combatentes que enfrentaram as tropas portuguesas, ao todo foram enviados cerca de 100 homens para Cachoeira. Esses voluntários, motivados por um forte senso de patriotismo, foram fundamentais para aumentar os efetivos brasileiros.

·       Apoio Logístico e Fornecimento de Recursos: 

A região de Inhambupe, conhecida por sua produção agrícola, forneceu alimentos e outros recursos essenciais para as tropas. O apoio logístico, incluindo mantimentos e transporte, foi crucial para manter a moral e a capacidade operacional das forças brasileiras.

Entre os destaques desse esforço coletivo, merece menção o gesto do Capitão Manoel Álvares de Azevedo, que doou diversas cabeças de gado de seu próprio rebanho para o sustento das tropas que passaram pela vila. Além disso, cedeu cavalos, carros de bois e até escravizados, com o objetivo de contribuir com o transporte e as necessidades das forças que combatiam em nome da independência.

·       Participação no Conselho Interino:

Esse conselho foi um governo provisório, formado por líderes civis e militares baianos, com o objetivo de organizar a resistência à dominação portuguesa e garantir a fidelidade da província ao imperador D. Pedro I, recém-aclamado em outubro de 1822. Funcionando como a autoridade legítima da Bahia libertada, o Conselho Interino coordenava a formação de tropas, a arrecadação de recursos e a articulação política entre os municípios que já haviam aderido à causa brasileira.

O município de Inhambupe teve participação direta nesse processo. Em 14 de outubro de 1822, Simão Gomes Ferreira Veloso, representante de Inhambupe, foi escolhido juntamente com Francisco Gomes Brandão Montezuma (de Salvador) para levar ao imperador D. Pedro I um relatório oficial com as ações do Conselho e a situação da resistência baiana. Essa escolha demonstra o prestígio e a relevância de Inhambupe nas decisões políticas da época.

·       Prisão de Tropas Portuguesas:

Inhambupe ainda serviu como local de detenção de soldados inimigos. Em 28 de junho de 1823, o capitão e 26 marinheiros da escuna canhoneira portuguesa, ancorada no Rio Paraguaçu, foram presos após se renderem e transferidos para a cadeia pública de Inhambupe, evidenciando o papel estratégico do município no conflito.

 

Significado na Luta pela Independência

A contribuição de Inhambupe e de outras cidades do interior baiano destaca a importância da participação popular na luta pela independência. A vitória em 2 de julho de 1823 não foi apenas resultado de batalhas travadas nas grandes cidades, mas também de um esforço coletivo que envolveu diversas comunidades menores, que, com seus recursos e determinação, ajudaram a moldar o destino do Brasil.

“Após estes acontecimentos dezenas de famílias e soldados brasileiros começaram a deixar Salvador rumo às vilas do Recôncavo, onde começou a ganhar força a resistência à ocupação portuguesa em Salvador. Várias localidades da Bahia, entre elas: São Francisco do Conde, Cachoeira, Santo Amaro, Saubara, Nazaré, Caetité, Inhambupe, Itapicuru reuniram tropas de voluntários, reconheceram a autoridade de D. Pedro frente ao governo do Brasil e colaboraram com mantimentos e munições para compor o Exército Brasileiro, responsável pela organização da resistência no solo baiano.” (in.: INDEPENDÊNCIA DA BAHIA Sessão especial realizada no dia 4 de julho de 2011 no Plenário do Senado Federal: BRASÍLIA – DF, p. 06).

Legado e Memória

Hoje, embora muitas vezes esquecida nos relatos oficiais, a história de Inhambupe é um símbolo de resistência e bravura. A celebração do 2 de julho é um momento para refletir sobre o papel das comunidades locais na construção da nação brasileira. Honrar a memória daqueles que lutaram pela liberdade é essencial para manter vivo o espírito de independência e unidade que caracterizou essa fase decisiva da história do Brasil.

Conclusão

A importância de Inhambupe na independência da Bahia é um testemunho do impacto que pequenas comunidades podem ter em eventos históricos de grande escala. A participação ativa de seus habitantes na luta pela liberdade demonstra que a força de um povo reside em sua união e determinação. Reconhecer e valorizar essa contribuição é fundamental para preservar a história e inspirar futuras gerações a defender os valores de liberdade e justiça.

Gilson Santana dos Santos

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS:

 

https://repositorio.ufba.br/bitstream/ufba/461/1/Acao%20da%20Bahia%20na%20obra%20da%20independencia%20nacional.pdf > Acesso em 30/06/2024

https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=792823>Acesso em 30/06/2024

SOUZA, Maria Aparecida Silva de. Bahia de capitania, a província 1808-1823Dissertação de Doutorado em HistóriaSão Paulo, Universidade de São Paulo 2008.

TAVARES, Luis Henrique Dias. História da Bahia. (10ª edição). São Paulo: EDUNESP: Salvador: EDUFBA, 2001.

TAVARES, Luis Henrique Dias. Independência do Brasil na Bahia. Salvador: EdUFBA, 2005.

Enciclopédia do municípios brasileiros volume XX IBGE 1958

http://www.atom.fpc.ba.gov.br/index.php/ata-de-vereacao-em-cumprimento-de-portaria-da-junta-provisoria-de-1-de-setembro-de-1823-averiguando-as-pessoas-que-mais-se-destacaram-pela-causa-da-independencia-do-brasil > acesso em 29/06/2024

http://www.atom.fpc.ba.gov.br/uploads/r/arquivo-publico-do-estado-da-bahia/6/8/7/687af345c32f0caa5a5a4fadcaf40d0a08d50feb421852b97624aa337d210639/BR_BAAPEB_CIBB_COR_012_033.pdf> acesso em 29/06/2024


 

 

 

terça-feira, 11 de junho de 2024

História do Cemitério Nossa Senhora da Conceição

 


Durante muitos séculos sepultar as pessoas dentro das igrejas era uma prática comum, principalmente entre os católicos. Essa prática tinha suas raízes na crença de que estar mais próximo dos santos e do altar da igreja garantia um lugar de repouso mais sagrado e prestigioso para os fiéis. A proximidade entre a cova e o altar dependia do prestígio social do defunto. Pobres e escravos eram enterrados do lado de fora da igreja,


Jazigo do Capitão Domingos Gomes Ferreira, Igreja da Matriz de Inhambupe.

Assento de óbito de 1840. Disponível em https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:9392-85SQ-9C?view=explore&groupId=M98J-V52


Na segunda metade do século XIX com o avanço da ciência, esses sepultamentos passaram a ser questionados. Os médicos alertavam para os problemas que essa prática tradicional católica de enterrar seus mortos no interior dos templos poderia causar. Eles afirmavam que os maus cheiros, emitidos pelos corpos em putrefação, poluíam o ar com gases e vapores que quando respirados pelas pessoas poderiam transmitir doenças.

Além das recomendações dos médicos, as autoridades também começaram a discutir a necessidade de construir cemitérios fora do espaço das igrejas. Essa discussão vai ganhar forças com a lei de 28 de outubro de 1828, que regulamentava o estabelecimento de cemitérios fora do recinto dos Templos, mas mantendo os mesmos sob a tutela das autoridades Eclesiásticas do Lugar. Com a promulgação dessa lei, inicia-se um debate nas Assembleias Legislativas provinciais para regulamentação e construção dos cemitérios na capital e no interior das províncias. Na Vila de Inhambupe, essa discussão inicia-se na primeira metade do século XIX. Quando em 1833, o padre Leonardo Lino Borges solicita às autoridades provinciais, providências orçamentárias para construção de um cemitério que se atende às necessidades da população local.

Com a agravamento das epidemias de varíola e cólera que assolavam a população de Inhambupe e região, a construção de um cemitério fora das imediações da Igreja do Divino Espírito Santo se fazia urgente e necessário, assim em 1857 a Câmara da Vila de Inhambupe solicitou ao Governo da Província verbas para a construção de um cemitério, mas o a solicitação não foi atendida.

O Uso da igreja e seu entorno como cemitério não oferecia segurança. As sepulturas eram rasas e, às vezes, emitiam odores desagradáveis e perigos, principalmente nas manhãs de verão, além disso alguns ossos de sepultamentos antigos ficavam expostos nas dependências da igreja.

Diante da gravíssima situação dos túmulos alocados na Igreja Matriz e de seus riscos à saúde pública, os reverendos lazaristas, que haviam chegado á cidade janeiro de 1872, deram os primeiros passos na execução da obra do cemitério.

Os lazaristas organizaram uma campanha afim de angariar fundos para financiar a execução da primeira etapa da obra do cemitério. Foi montada uma comissão para arrecadar dinheiro, administrar a compra do material necessário e acompanhar a realização da obra. Essa campanha conseguiu angariar 514$600 réis em dinheiro, além de voluntários para os trabalhos braçais. foram levantados os alicerces através de mutirões.

O projeto do cemitério foi elaborado pelo engenheiro Manuel Joaquim Brito, do Quarto Distrito das Obras Públicas, em data não identificada. O projeto previa a construção de uma capela, de sepulturas particulares, de sepulturas gerais, de carneiros para adultos nas laterais e para crianças na entrada. O cemitério deveria ser todo murado e arborizado. Sua localização era um pouco afastada do centro da vila, mas ainda dentro do perímetro urbano.

 

Imagem do Projeto de construção do cemitério da Vila de Inhambupe. Planta do engenheiro Manuel Joaquim Brito.

Imagem extraída de, Souza, Márcia Rita Silva. Irmandade Nossa Senhora da Conceição Imaculada dos passos: experiência associativa na Vila de Inhambupe-Bahia (1850-1889). Dissertação de Mestrado em História Regional e Local. Santo Antônio de Jesus, UNEB 2018.


Desenho da Capela de Nossa Senhora da Conceição

Imagem extraída de, Souza, Márcia Rita Silva. Irmandade Nossa Senhora da Conceição Imaculada dos passos: experiência associativa na Vila de Inhambupe-Bahia (1850-1889). Dissertação de Mestrado em História Regional e Local. Santo Antônio de Jesus, UNEB 2018.


Com a saída dos lazaristas, a comissão passou a enfrentar muitas dificuldades para dar continuidade às obras. A principal dificuldade foi os poucos recursos disponíveis, os 514$600 réis arrecadados só foram suficientes para construir os alicerces e parte do muro, e comprar o gradil de ferro. Sem recursos a Comissão se ver obrigada a parar as obras. Mas mesmo estando inacabado o cemitério passou a ser utilizado com o sepultamento de pessoas pobres e indigentes e vítimas da epidemia. Os sepultamentos eram feitos de forma desordenada e sem seguir as determinações do projeto.

Diante dessa situação em 08 de setembro de 1873, a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição Imaculada dos Pardos através de um ofício de solicita à Presidência da Província o direito de construir e administrar o cemitério.   A proposta dos irmãos consistia em construir o cemitério com recursos próprios, estando a obra orçada em 12 ou 14 contos de réis, em contrapartida teria o direito de administrá-lo por trinta anos, sem interferência das autoridades locais, contudo a Irmandade da Conceição comprometeu-se com o sepultamento no mesmo cemitério dos pobres desvalidos.

Como não houve nenhuma objeção da   comissão responsável pelas obras do cemitério, o pedido da Irmandade foi assim atendido pelas autoridades provinciais, sem qualquer ressalva ou acréscimo.  Em 25 de setembro de 1873, a obra inacabada do cemitério foi entregue oficialmente à Irmandade. Os recursos para dar continuidade à obra viriam das economias da Irmandade e de donativos de irmãos e do povo em geral. No dia 24 de dezembro de 1874 a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição comunicou às autoridades provinciais que as obras do cemitério tinham sido concluídas.

No decorrer das obras do cemitério, os atritos entre a Mesa diretora da Irmandade e o vigário da paróquia Antônio Lourenço Boaventura foram constantes, sendo necessário a intervenção do Governo da Província como mediador da questão. O vigário não aceitava que a administração do cemitério estivesse nas mãos da irmandade, pois segundo as Primeiras Constituições do Arcebispado da Bahia cabia ao pároco a jurisdição sobre o cemitério, e a lei imperial de 28 de outubro de 1828 também recomendava que os cemitérios nas vilas e nas cidades do Brasil Imperial fossem de responsabilidade da Autoridade Eclesiástica local. Inconformado padre Boa Ventura fez o possível para retardar a cerimônia religiosa de inauguração do cemitério, alegando que havia irregularidades na obra, e que a mesma não estava concluída de acordo com o contrato celebrado com Governo da Província e que ainda estava muito longe de ficar nas condições de poder receber a bênção reclamada. O pároco tinha interesses no descumprimento dos prazos, pois havia a possibilidade de a administração do cemitério passar para suas mãos. Apesar de todos os seus esforços o pároco teve suas alegações contestadas e até desmentida pelas autoridades, que não observaram qualquer impedimento estrutural ou de saúde pública, que justificassem o não funcionamento do cemitério. Diante da avaliação positiva emitida pelas autoridades, o Governo Provincial ordenou seu funcionamento e deu por encerrado este episódio.

Com o fim da irmandade (Em nada não identificada) a administração do cemitério passa para a paróquia do Divino Espírito Santo, que no início dos anos 90 por fim o entrega à Prefeitura Municipal de Inhambupe, que o mantém até os dias de hoje.

Entre o final dos anos 70 e início dos anos 80 a Capela Nossa Senhora da Conceição localizada no cemitério estava em ruinas e foi demolida com a promessa de se construir outra em seu lugar, mas no início dos anos 2000 como não havia mais espaço para novos sepultamentos no cemitério a área reservada para a construção da nova capela passou a ser utilizado para novas sepulturas.

No ano de 2006 como não havia mais espaço para novos túmulos o cemitério passou por uma pequena ampliação, o muro frontal foi derrubado e construído outro cerca de 40 metros á frente ocupando uma área onde antes era um canteiro e um jardim. Dessa forma o cemitério ganhou uma área de aproximadamente de 1400m2.

Cemitério antes da ampliação, junho de 2001. Fonte: Google Earth

Cemitério depois da ampliação 2024, Fonte: https://www.bing.com/maps


Foto dos canteiros que ficavam na frente do cemitério, antes da ampliação. Fonte: Fotografia aérea dos anos 80.

Essa ampliação não foi suficiente e atualmente o cemitério Nossa Senhora da Conceição não dispõe mais de espaço para novos sepultamentos, sendo utilizado somente pelas famílias que já dispõe de jazigos antigos. Outro cemitério foi construído no povoado de Juazeiro e é onde se realiza hoje a maioria dos sepultamentos.



Referencias bibliográficas:

Souza, Márcia Rita Silva. Irmandade Nossa Senhora da Conceição Imaculada dos passos: experiência associativa na Vila de Inhambupe-Bahia (1850-1889). Dissertação de Mestrado em História Regional e Local. Santo Antônio de Jesus, UNEB 2018.

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/um-certo-cheiro-do-altar-a-vida-antes-dos-cemiterios.phtml

Registros paroquiais, 1732-1902. Paróquia do Divino Espírito Santo Inhambupe. Disponível em: https://www.familysearch.org/

Relato oral do Sr. Valdomiro Alves de Souza (Miro), funcionário do cemitério á mais de 30 anos.

 

quarta-feira, 5 de junho de 2024

5 de junho Dia Mundial do Meio Ambiente




Neste 5 de junho Dia Mundial do Meio Ambiente, é crucial reforçar a importância da preservação do nosso planeta. Esta data nos convida a refletir sobre a importância de cuidar e proteger o meio ambiente, promovendo a conscientização sobre os desafios ambientais que enfrentamos e incentivando ações individuais e coletivas em prol da sustentabilidade.

A preservação do meio ambiente é fundamental para garantir um futuro saudável para as gerações presentes e futuras. A conservação da biodiversidade, a proteção dos recursos naturais, a redução da poluição e as práticas sustentáveis são aspectos essenciais para manter o equilíbrio dos ecossistemas e garantir a qualidade de vida de todos os seres vivos.

Além disso, a preservação do meio ambiente está intrinsecamente ligada ao combate às mudanças climáticas, à segurança alimentar, à saúde pública e ao desenvolvimento econômico sustentável. Ao adotarmos atitudes conscientes em relação ao uso de recursos naturais, à gestão de resíduos, à conservação da flora e fauna, entre outras ações, contribuímos para a construção de um mundo mais equitativo e saudável para todos.

Portanto, o Dia Mundial do Meio Ambiente nos lembra que cada um de nós tem um papel fundamental na proteção do nosso planeta. É necessário promover práticas sustentáveis em nossas comunidades, empresas e governos, bem como incentivar a educação ambiental e o engajamento cívico em prol da conservação ambiental. Juntos, podemos trabalhar para criar um futuro onde a natureza seja respeitada e preservada para as gerações vindouras.


segunda-feira, 20 de maio de 2024

Abelha Mangangá (Xylocopa)

 

Abelha mangangá polinizando flor bugainvillea, zona rural do município de Sátiro Dias. Foto Gilson Santana.

Mangangá ou  mamangaba,  as Xylocopini são um grupo  de abelhas formada por um único gênero (Xylocopa) que pertence à subfamília Xylocopinae. As abelhas deste grupo são popularmente conhecidas como abelhas carpinteiras, devido ao seu comportamento de nidificação.

Também são conhecidas, assim como as abelhas do gênero Bombus, por: mangangámamangava, entre outros. Esse grupo abrange abelhas de grande porte, chegando a medir até 45 mm (4,5 cm), sendo que os machos no subgênero Neoxylocopa apresentam forte dimorfismo sexual, com cores variando do marrom ao amarelo. Esse grupo inclui mais 700 espécies descritas; e apresenta distribuição cosmopolita com maior diversidade nas regiões tropicais e subtropicais do novo e velho mundo. Sendo que destas, 50 ocorrem no Brasil.

A maioria dessas espécies nidificam em tecidos vegetais secos, como: troncos mortos, ocos e gomos de bambu; ou ainda em tecidos vegetais vivos, como no caso do sabugueiro (Sambucus nigra), possuem comportamentos tidos como sociais, ou em uma boa parte são na realidade subsociais, que assim como afirma Zanella e Martins: “Dentre as espécies solitárias, há algumas que, durante um certo tempo, cuidam das crias jovens, em sua fase larval (apresentando assim sobreposição de gerações). Essas espécies são denominadas subsociais”.

São considerados exímios polinizadores, quando se trata da polinização do maracujá amarelo (Passiflora edulis), devido ao seu grande porte e a polinização por vibração realizada por estes.

A importância da abelha mangangá na polinização é significativa. Assim como outras espécies de abelhas, elas desempenham um papel fundamental na reprodução de plantas, incluindo muitas espécies vegetais que são importantes para a produção de alimentos. Ao coletar néctar, as abelhas mangangás transportam grãos de pólen de uma flor para outra, promovendo a fertilização e a produção de frutos e sementes.

Além disso, como a mangangá, são importantes para a preservação da biodiversidade em ecossistemas naturais. Sua atuação na polinização contribui para a reprodução de plantas nativas e para a manutenção dos habitats naturais.

A preservação da abelha mangangá e de outras espécies de abelhas é essencial para garantir a continuidade dos processos naturais de polinização e para manter a diversidade das plantas em nosso ambiente. A conscientização sobre a importância desses polinizadores e a proteção de seus habitats são passos cruciais para assegurar um equilíbrio saudável nos ecossistemas onde atuam.

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Xylocopini

https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2024/03/05/polinizacao-feita-por-abelha-mamangava-aumenta-produtividade-de-maracuja.ghtml

https://ecoa.org.br/mamangavas/

https://diversitasjournal.com.br/diversitas_journal/article/view/2555


Mais de 500 milhões de abelhas morreram no Brasil devido ao uso de agrotóxicos

 

Abelha polinizando uma flor, zona rural do município de Sátiro Dias. Foto Gilson Santana.

As abelhas desempenham um papel muito importante na manutenção da vida no nosso planeta. Estimasse que existam cerca de  20 mil espécies de abelhas espalhadas  pelo mundo, e no Brasil mais de 1500 espécies nativas, sendo a maioria solitárias. dentre as espécies sociais destacasse mais de 300 espécies de de abelhas-sem-ferrão. espécies nativas. Elas são responsáveis pela polinização de uma grande variedade de plantas, incluindo muitos alimentos que fazem parte da nossa dieta diária. Além disso, a produção de mel é uma atividade econômica importante em muitas regiões do mundo, proporcionando emprego e sustento para muitas famílias.

A extinção das abelhas teria consequências desastrosas para o meio ambiente e para a produção de alimentos. Sem a polinização feita por esses insetos, muitas plantas não seriam capazes de se reproduzir, levando a uma redução significativa na produção de frutas, legumes e sementes. Isso poderia resultar em escassez de alimentos e impactos negativos na biodiversidade.

No Brasil, a morte em massa de abelhas é um problema preocupante. Cerca de 500 milhões de abelhas morreram no país, e o uso excessivo de agrotóxicos é apontado como um dos principais motivos. O país é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. Uma investigação realizada pelo Greenpeace em parceria com a organização Public Eye divulgada no 16 de maio de 2023, revelou que o Brasil foi o principal destino de agrotóxicos neonicotinóides exportados pela União Europeia (UE): 6.272 toneladas só em 2021, o que corresponde a  quase metade do total das exportações daquele ano. Esse tipo de agrotóxicos é altamente nocivo para insetos polinizadores, motivo pelo qual é proibida em países da UE. Entretanto, empresas do bloco europeu seguem fabricando e vendendo esse tipo de veneno para o Brasil, onde a lei é mais permissiva, essa prática tem contribuído significativamente para o declínio das populações de abelhas. Além disso, a introdução de espécies de abelhas estrangeiras também tem impactado negativamente as abelhas nativas, ameaçando sua sobrevivência.

É crucial que medidas sejam adotadas para proteger as abelhas e reduzir os impactos negativos do uso de agrotóxicos e da introdução de espécies estrangeiras. A conscientização sobre a importância das abelhas na polinização e na manutenção dos ecossistemas naturais é essencial. Além disso, promover práticas agrícolas mais sustentáveis e a proteção das espécies nativas de abelhas são passos fundamentais para garantir um futuro saudável para esses importantes polinizadores e para o nosso suprimento de alimentos.

Abelha Mangangá, polinizando uma flor Bougainvillea. Zona rural de Sátiro Dias. Foto Gilson Santana.

Fontes:

https://www.greenpeace.org/brasil/imprensa/milhares-de-abelhas-morrem-no-brasil-pelo-uso-de-agrotoxico/?appeal=21057&utm_source=google&utm_medium=paid&utm_campaign=florestas&utm_content=aq_20230809_grants&utm_term=a%20import%C3%A2ncia%20das%20abelhas&utm_campaign=&utm_source=adwords&utm_medium=ppc&hsa_acc=7235609613&hsa_cam=19664562138&hsa_grp=151832535586&hsa_ad=669323469102&hsa_src=g&hsa_tgt=kwd-675622074882&hsa_kw=a%20import%C3%A2ncia%20das%20abelhas&hsa_mt=b&hsa_net=adwords&hsa_ver=3&gad_source=1&gclid=Cj0KCQjw6auyBhDzARIsALIo6v9L4j4vcaUP9aFcpT8P4seamhI6Lz5KWWeX0yQAJSGl0KW_dbnvRRcaApUVEALw_wcB

https://www.embrapa.br/meio-ambiente/abelhas-nativas#:~:text=nossas%20abelhas%20nativas!,possuem%20mais%20de%20300%20esp%C3%A9cies.

https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2022/05/abelhas-por-que-sao-importantes-e-como-podemos-evitar-seu-desaparecimento

https://agro.estadao.com.br/summit-agro/quais-sao-os-principais-tipos-de-abelhas-no-brasil

domingo, 19 de maio de 2024

urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura)

 

Urubu-da-cabeça-vermelha, zona rural do município de Inhambupw. Foto Gilson Santana.

O urubu-de-cabeça-vermelha é uma ave cathartiforme da família Cathartidae. É também conhecido como urubu-real, urubu-caçador, urubu-de-cobra e no Ceará é conhecido como camiranga.

Características

Mede de 62-81 cm de comprimento e seu peso varia de 850 até 2000 g. Possui longas asas que chegam a 1,82 metro de envergadura, sendo relativamente estreitas e mantidas em formato de “V”. Dessa forma, aproveita a menor brisa disponível para voar sobre a vegetação e o solo, às vezes a poucos metros do chão. Nessa busca de sustentação, mantém as asas rígidas e vira o corpo de lado a outro, parecendo um voo errático, que não vai se manter. Muito raramente bate as asas e, mesmo assim, só para iniciar o movimento. Igualmente, desloca-se a grandes alturas, mantendo o perfil característico de voo.
Na ave juvenil ou na adulta, as longas penas das asas são cinza escuro. Esse contraste é característico desta espécie. O adulto possui a pele nua da cabeça e pescoço vermelhos, além de um escudo nucal branco, visível em boas condições de luz; quando juvenil tem a cabeça negra.

Alimentação

Saprófaga, localiza as carcaças pelo olfato, sendo uma das poucas aves em que esse sentido é apurado. Graças à sua capacidade de voo e sensibilidade do olfato, costuma ser o primeiro urubu a chegar na carniça. Nem sempre é o que se banqueteia melhor, porque logo é seguido pelas outras espécies e afastado por elas. Muitas vezes, espera as demais alimentarem-se, para, então, voltar a comer. De forma ocasional, pode capturar e matar pequenos vertebrados, apanhados nos voos rasantes.

Reprodução

Nidifica no solo ou, mais raramente, em ocos de árvores. Em qualquer caso, locais bem cobertos por vegetação e protegidos. Coloca dois ovos e a incubação dura de 38 a 41 dias. Quando nascem os filhotes, são alimentados com alimento regurgitado pelos pais. A partir dos 70 dias de vida, inicia seus voos.

Hábitos

Habita campos, matas e bosques. À noite, dirige-se para pousos tradicionais, seja nas árvores da mata ribeirinha, seja em capões nos campos. Esses pousos são comunais, ocasionalmente com 20 ou 30 urubus de várias espécies.

Particularidades

No Brasil é proibido por lei matar algum urubu ou criá-lo em cativeiro sem o consentimento do IBAMA.

Em um programa sobre curiosidades animais, no canal de TV paga NatGeo Wild, o urubu-de-cabeça-vermelha ficou com a segunda colocação numa lista dos dez animais mais fedorentos do mundo, perdendo apenas para o gambá norte-americano.

Os urubus não vocalizam.

Difere em voo do urubu-preto pela maior envergadura, pelas cores das penas das asas (metade branca, metade preta), que no alto dão um aspecto mais pardo no meio dos outros urubus. Tem a cauda ligeiramente mais comprida e a ponta das asas parece um pouco mais arredondada. Voa com as asas ligeiramente mais levantadas e não com as asas retas. É inconfundível pela maneira como plana e voa tão lentamente que parece parar no ar. Quando faz curvas, as faz mais “fechadas” em seu próprio eixo, enquanto outros urubus fazem curvas mais longas, dando grandes voltas no céu.

Geralmente é visto voando sobre os picos de morros e regiões altas.

Distribuição Geográfica

Ocorre desde o sul do Canadá até a América do Sul. Seu período migratório vai de julho a novembro.


Fonte:

https://www.wikiaves.com.br/wiki/urubu-de-cabeca-vermelha

sábado, 18 de maio de 2024

Urubu-de-cabeça-amarela (Cathartes burrovianus)

 

Urubu-de-cabeça-amarela, zona rural do município de Inhambupe. Foto Gilson Santana

Urubu-de-cabeça-amarela ou urubu-menor-de-cabeça-amarela (Cathartes burrovianus) é uma ave necrófaga da família Cathartidae, que pode ser encontrada no México, na Argentina e no Brasil. É uma ave de porte médio, podendo chegar a até 69 cm de comprimento, podendo pesar entre 950g a 1550g.Tem esse segundo nome em comparação com o urubu-da-mata (Cathartes melambrotus), que é chamado também de urubu-maior-de-cabeça-amarela, por causa de pequenas diferenças, como os lados do pescoço amarelados e plumagem negra com mancha branca na face inferior das asas, visível apenas em voo e uma envergadura de asas um pouco menor do que a do urubu-da-mata.Também é conhecido pelo nome de urubupeba.

Características

O urubu-de-cabeça-amarela tem 53 a 65 centímetros de comprimento e pesa entre 950-1550 g. Ostenta uma envergadura de 1,60 metro.
A coloração do corpo e asas é semelhante à do urubu-da-mata (Cathartes melambrotus). À distância, a cabeça parece amarelo clara, quase branca. Apresenta menos franjas no pescoço, uma cauda mais curta e tons marrons na plumagem. A plumagem da parte interna das asas apresenta coloração uniforme, diferentemente da plumagem do urubu-da-mata (Cathartes melambrotus), que apresenta penas claras e escuras.
O juvenil possui a cabeça negra.
Também possui olfato apurado e chega rapidamente às carniças, onde, assim como o urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura), é afastado com a chegada de outras espécies de urubus.

Espécies Semelhantes

As espécies urubu-de-cabeça-amarela e urubu-da-mata são bastante parecidas, distinguindo-se por detalhes sutis na sua forma (“shape”), na coloração da cabeça, no tamanho das aves e na proporção entre asas e cauda. A região de ocorrência também auxilia na correta identificação da espécie.

Alimentação

Alimenta-se principalmente de pequenas presas ou de carniça, hábito que o condiciona como uma espécie saprófaga. É um caçador ativo, capturando pequenos vertebrados em voos rasantes.

Reprodução

Faz ninho em grandes cavidades de árvores, pondo ovos branco-amarronzados manchados de marrom. Nidifica em locais semelhantes e o filhote nasce com uma plumagem fina e branca, mantida nas primeiras semanas.

Hábitos

Habita beiradas de rios e lagoas florestadas, áreas pantanosas e campos. Vive normalmente solitário ou em grupos de alguns indivíduos, bem espaçados. Paira baixo sobre pantanais ou campos alagados, sendo incomum encontrá-lo voando alto. Pousa em postes baixos e cercas.
Possui os mesmos hábitos gerais das espécies da mesma família, às vezes usando os mesmos pousos noturnos.
Urubu-de-cabeça-amarela, zona urbana do município de Inhambupe. Foto Gilson Santana.

Distribuição Geográfica

Encontrado em diversas regiões do Brasil, é mais comum no Nordeste e na Amazônia, sendo ainda o urubu predominante nas restingas do Rio de Janeiro. Presente também desde o México até o norte da Argentina e Uruguai.

Conservação

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) a classificou como "espécie pouco preocupante". Tal status foi aferido em decorrência de sua abrangência de 7 800 000 km2 (3 000 000 sq mi) e de sua população, estimada entre 100.000 e 1.000.000. Sua tendência populacional parece ser estável.


FONTES:

https://www.wikiaves.com.br/wiki/urubu-de-cabeca-amarela

https://pt.wikipedia.org/wiki/Urubu-de-cabe%C3%A7a-amarela